O Mito da Carreira Profissional

Para muitas pessoas ter um emprego estável é uma meta importante. Estável significa que não será despedido tão cedo e que seu salário tende a acompanhar as suas necessidade. Deste conceito nasce o conceito de Carreira Profissional em que a pessoa evolui dentro da empresa se um trabalho para outro. Para alcançar isto, a pessoas tem que trabalhar exclusivamente em uma só empresa e  isso leva ao conceito de que o trabalhador “pertence” à empresa.

O conceito de que o trabalhador “pertence” à empresa leva ao conceito de que se a empresa protege seus bens, então deve proteger seus trabalhadores. Especialmente deve manter os seus salários altos. Por outro lado, leva ao conceito de que a empresa é o conjunto dos seus trabalhadores. Tudo isto são ilusões.

Na realidade o trabalhador é livre para mudar de emprego para outra empresa a qualquer momento, e a empresa é livre de mudar de empregados a qualquer momento. Não existe vinculo exceto aquele condicionado pelo horário de trabalho que, na prática, causa um vinculo de exclusividade, embora na teoria a pessoa é livre de ter quantos trabalhos quiser.

O trabalho é um fator produtivo como qualquer outro. Se uma matéria prima escasseia a empresa irá antever formas de substituir essa matéria prima por outra. O mesmo se aumentar de preço. Se a matéria prima abunda o seu preço é menor porque a concorrência assim o força. O mesmo com o trabalho. Se ha muitos trabalhadores de uma certa especialidade a empresa contrata os mais baratos, se ha poucos, ela tem que competir pelos poucos que ha aumentando o salário. Claro que ao falar em salário me refiro inclusivamente a todos os benefícios que são pagos.

Não existe ponto de equilíbrio. É um processo cíclico constantemente em rotação.

Neste cenário não faz sentido pensar que a pessoa tem alguma chance de permanecer na mesma empresa por muito tempo. É simples. Quando ela acumular um valor que se equiparar ao do mercado ela será substituída. O truque, portanto, é nunca deixar que a massa do mercado chegue nos seus calcanhares. A pessoa tem que se manter acima da média, bem acima, para se manter na posição que ocupa. Por outro lado, em outra empresa, essa mesma posição pode pagar melhor ou ser de alguma forma mais vantajosa. E ai é tempo da pessoa mudar de empresa.

Da mesma forma que as empresas procuram constantemente revitalizar seu quadro, também os trabalhadores  precisam se mover entre as empresas. A idéia de que a pessoa entra no departamento de entregas e depois de um tempo acaba na presidência não advém de um mecanismo interno da empresa, mas sim da constante busca dessa pessoa em se destacar da massa que o rodeia.

Neste sentido, a Carreira Profissional é o conjunto de operações, estudos, e extensões que a pessoa adquire ao longo da vida que lhe permitem se manter acima da massa regular  e não o conjunto de cargos que ocupou numa mesma empresa.

É um erro entrar numa empresa e esperar ficar nela para sempre. Igualmente é um erro sair dela antes de aprender o suficiente. Do ponto de vista da empresa é um erro manter pessoas que não evoluem, mas igualmente é um erro não lhes dar espaço para evoluir.

Acho que a conclusão é : não existe segurança no emprego, então parta do principio que você vai mudar mais cedo ou mais tarde e não que vai ficar ai para sempre.

Anúncios

8 opiniões sobre “O Mito da Carreira Profissional”

  1. Interessante seu ponto de vista, mas conheço empresas que tem uma forma diferente de encarrar as coisas. A Toyota por exemplo, trabalha fortemente com relacionamento de longo prazo com seus funcionários e fornecedores para cultivar a confiança e manter o tão alto investimento que feito para adapatar as pessoas a cultura da empresa. Uma empresa que não prima for relações de longo prazo tem taxas de turn over muito altas, o que dificulta a criação de um ambiente em que crenças, valores e princípios que possam ser compartilhados por todos os envolvidos no trabalho.

    Já estabilidade acho que muita gente usa essa palavra, quando na verdade está buscando comodidade, querem um emprego estável para ir levando com a barriga seu dia-a-dia sem precisar aprender constantemente ou se esforçar demais. Daí o grande engano.

    Na natureza tudo está verde e crescendo ou maduro e aprodrecendo. Nesse sentido, quem está estável está na verdade deixando de se tornar melhor. O que é anti-natural. Por isso, penso que devemos diferenciar a estabilidade da relação de longo prazo entre empresa e trabalhadores.

    Novamente citando a Toyota, todos os funcionários que nela trabalham são cobrados a estar em constante desenvolvimento profissional, não se permite que ninguém fique estável, por outro lado cultiva-se um relacionamento de longo prazo que resulta em um turnover de menos de 3%.

    A fonte dos comentários sobre a Toyota é o livro The Toyota Culture, o resto são apenas alguns pensamentos que tenho.

    Parabéns pelo blog e escolha do assunto que é ótimo para ser debatido.

    1. André, não discordo da sua opinião, o ponto é que o turnover nunca é zero. Isso é uma impossibilidade “cientifica”, porque o conceito de Capital implica no dinamismo. Repare que esse tipo de investimento não é diferente do investimento em máquinas ou no mercado financeiro. Se vc não tem capital financeiro vc é obrigado a pegar empréstimos. Se vc não utiliza esses empréstimo da melhor forma, vc irá precisar de outro, e assim vai. Este trunover do dinheiro na sua empresa é um problema. O mesmo que o turnover das pessoas.
      Como disse, o ponto é que o mecanismo exige uma constante mudança por parte do profissional e ele tem que a fazer por si mesmo, sem esperar pela empresa. Se empresa enxerga esse esforço – como no seu exemplo da Toyota – ótimo. Se não, o profissional muda-se com a sua bagagem de skills para outra empresa.

  2. Bom post! Parabéns.

    Compartilho do teu pensamento. Os profissionais infelizmente entram nas empresas e se acomodam. Se manter acima da média de mercado nos ajuda a cortar o cordão umbilical com a empresa e estabelecer uma relação profissional mais saudável e prestando um serviço de mais qualidade.

  3. Não podemos tomar como exemplo para o mundo um modelo capitalista hipotético norte-americano que sequer corresponde à realidade do país deles. Na Alemanha por exemplo uma empresa com mais de 10 funcionários não pode demitir alguém para contratar outra pessoa mais barata. Demissões em caso de dificuldades financeiras devem ser feitas por uma ordem determinada, mais novos e solteiros primeiro. O modelo que você acredita ser a única opção, não verdade não é seguido na 5a maior economia do mundo.

    Dizer que o trabalho humano é um recurso como outro qualquer, disponível quando necessário e dispensável quando conveniente é uma visão do início do século. Dá pra ser capitalista sem necessariamente ser um animal.

    1. Primeiro: não sei de onde tirou que se trata de um modelo norte-americano. O próprio Karl Marx defendeu um modelo semelhante quando mais velho. Segundo é preciso lembrar que a Alemanha enfrentou 2 guerras mundiais tendo iniciado a segunda exactamente por um defict na estrutura economica. Terceiro, essa politica é extramente xenofoba pois diferencia velhos e novos , casados e solteiros. O que é, no mínimo, simplista. Porque o solteiro tem menos prioridade que o casado ? Isso leva as pessoas as se casarem como estratégia para manter o emprego, o que cria estrturas familiares apoiadas em “negócio” em vez de valores familiares … Quarto, eu não acredito em protecionismo artificial. Isso só leva à criação artificial de estruturas sociais que embora possam ter partido de boas intenções, viram o descalabro pelo aproveitamento individo. Por exemplo, é aceitável que as pessoas com dificuldades motoras , tenham prioridade em filas ou tenham acentos reservados, mas não é correto que pessoas de idade que se locomovem perfeitamente tomem para si tais lugares em detrimento de grávidas, por exemplo. A “carta do velinho” não pode ser usada como trunfo para chegar no absurdo de empresas que têm “office boys” de idade para poderem passar na frente na fila do banco e fazerem operações em nome de deus e o mundo. Igualdade significa que apenas os que precisam, precisam ser tratados especialmente e a necessidade não escolhe idade. É apenas um exemplo de como o protecionismo pode ser aproveitado muito facilmente. Igualmente no modelo alemão – supondo que é correto o que afirmou , não tenho tempo para averiguar – será muito facil o novo compotente ser eliminado em detrimento do velho de casa casado que simplesmente não faz nada todo o dia. Eu considero a discriminação com um gesto animal.

  4. De acordo com a estrutura capitalista a estabilidade é uma ilusão mesmo. a idéia que mais se aproxima disso seria abrir o próprio negócio, embora numa visão mais detalhada existe a dependência de inúmeros fatores.

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s