Dois Mil e Nove

Amanhã será dia 1 de Janeiro de 2009. Será o princípio de mais um ano.  O que esperar deste ano?

Segundo a imprensa mais distraída continuaremos em crise em 2009. Crise econômica, entenda-se. O detalhe é que não existe nenhuma crise econômica. O que existe é um sistema financeiro funcionando. Se quisermos abusar da sorte podemos falar de uma crise financeira já que parece estar faltando dinheiro  para operações financeiras tais como financiamentos. Tanto uso de derivados de finanças é proposital já que finanças e economia são duas coisas diferentes. É por isso que parte da impressa é distraída: não sabe a diferença e chama tudo por qualquer nome. Sinal de uma imprensa ingênua, infantil e despreparada. Em uma palavra: irresponsável.

Em 2008 comemoram-se os 200 anos da chegada da família real portuguesa às terras brasileiras. Isso significa que se comemoraram 200 anos sobre o prelúdio dos eventos que levariam o Brasil a ser um país soberano (não digo independente porque nenhum país é realmente sem dependências). Isso faz do Brasil um país muito jovem e, por conseqüência, com algumas instituições muito pueris e inconseqüentes.

A crise para 2009 será a mesma que em 2008 e nos 200 anos anos anteriores: crise de valores.  A crise de valores típica da adolescência se impregna na sociedade até que esta dê um passo em direção ao amadurecimento. E a forma de fazer isso é através da crescente responsabilização.

A responsabilização só se obtém de uma única forma: pela responsabilização que um cidadão exerce sobre outro. É o mútuo exercício da responsabilização que eleva a sociedade como um todo a um estado mais maduro e por conseqüência eleva as suas instituições.

Os meus votos para 2009 são por uma responsabilização crescente, tanto no Brasil como no resto do mundo. Pelo exercício natural do direito a pedir explicações e responsabilidades, custe a quem custar.

Infelizmente o leque de atrocidades cometidas por aí, e que passam sem serem devidamente repugnadas e punidas com a vergonha em praça pública do seus autores, é muito grande. Vai desde o descaso dos pais pelos seus filhos, até ao descaso dos políticos pelo país e do país pelos políticos. Sim, porque em um país que já retirou um presidente do poder por impeachment e já derrubou ditaduras não faz sentido se desculpar da responsabilidade de exigir melhor do seus atuais políticos e dos seus atuais co-cidadãos. Pior, são esses quem exigiram que atualmente são políticos e não exigem de si mesmos a responsabilidade que exigiram de outros no passado.

No meio disto tudo há que se falar ainda da irresponsabilidade pela educação dos jovens, que daqui a pouco serão a massa trabalhadora, executiva e filosófica do país, do mundo.  Cada vez mais os jovens sabem menos sobre menos coisas. A maioria de suas procupações são fúteis e infrutíferas, e isso se deve ao descaso que os seus pais e a sociedade como um todo fazem deles.  Não são apenas os pais e os professores que tem responsabilidade em educar as  futuras gerações, todos temos. Todos temos essa responsabilidade. Lembre-se que serão eles que ditarão o rumo do país, e  quando, no futuro, você estiver demasiado cansado para se preocupar e quiser ser cuidado dignamente, será a eles que se terá que recorrer.  Assim, não é possível você esperar receber um tratamento digno, se antes não se preocupou  em ensinar aos jovens de hoje a serem dignos e responsáveis.

Feliz 2009

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4 opiniões sobre “Dois Mil e Nove”

  1. Fala Sérgio,

    Todos os dias digo ao meu filho que farei dele um cidadão com conhecimento acima da média e digo também que isso fará a diferença quando no tempo dele as obrigações forem realidade, ele apenas sorri e me diz: Meu pai, eu sou criança ainda. Mas o que ele não sabe que tudo que colocamos em prática aprendemos quando estamos crescendo e por mais q não consigamos interpretar tudo num determinado momento, em um certo dia todo esse conhecimento desperta e o ensinamento fará sentido.

    Percebo que hoje para nos considerarmos economicamente e profissionalmente ativos precisamos agregar muito mais tarefas, gadgets, responsabilidades e perfis multidisciplinares do que as profissões tradicionais ofereciam. Estamos vivendo uma revolução silenciosa que está possibilitando muita coisa e tem exigido muito mais. Quanto mais se fala em inclusão, mas se percebe que mesmo os que se consideram incluídos estão exclusos, porque eles não compreendem o significado da inclusão e pensam que apenas pelo fato de estaremo usando um computador eles já não são mais excluídos digitalmente. Enfim, os alguns jovens de hoje estão de fato na contra-mão do que provavelmente será exigido no futuro, não sei se isso é uma resistência inconsciente aos níveis absurdos de exigência que está se configurando ou se isso é apenas uma tendência demográfica de quem serão os novos excluídos. De uma coisa estou certo : Aqui em casa, meus filhos estarão ciente do papel deles na sociedade. Bom Ano novo para todos!

  2. Sérgio,
    muito bem colocado o seu texto aliás vejo que você tem muita razão em suas colocações, todavia existe ai também uma certa visão de perfeccionismo pois o mundo já entrou em guerra senão duas vezes I Guerra Mundial e II Guerra Mundial, e falando em sociedade temos ai e podemos colocar nisso várias observações pois cada nação é um mundo diferente e o que torna comum é senão a circulação de moedas e capitais, mas o que quero dizer com isso que um povo é a sua história e suas transformações, observa-se no texto acima que vivemos uma guerra silenciosa é a guerra agora do conhecimento que tem mais vai exercer poder sobre o outro e isso não tem jeito, é a nova modalidade de sobrevivência social entretanto hoje em dia isso torna muita pessoas trapaceiras e trambiqueiras por qualquer lucro ou vantagem.

    Feliz 2009

    1. O problema não é que as pessoas procurem trambicagem, isso é comum e tão velho como o mundo. O problema é que elas não sejam guiadas e ensinadas no caminho certo. A falta de valores e principalmente a falta de embutir esses valores nos jovens e crianças é que nos leva aos problemas atuais. Claro que é também necessária uma educação mais técnica em várias áreas, mas sem uma cultura e educação básicas de respeito e entendimento o conhecimento técnico é oco.
      As Guerras mundiais foram travadas exatamente porque no seu âmago o ser humano é responsável e respeita comprometimentos.
      Afinal nenhum país é obrigado a participar da disputa de outros quando nada tem a ver com o problema. A primeira guerra aconteceu por causa da cobrança de alianças (algumas históricas e muito antigas) entre os países. E países que nada tinham a ganhar ou a perder com o conflito entraram nele “sem querer” apenas porque tinham que respeitar alianças.
      A segunda Guerra aconteceu porque estava em causa algo muito mais importante que território ou dinheiro: a própria humanidade estava sendo colocada à prova. Civis foram exterminados apenas porque não se encaixavam em certos critérios. A guerra fria aconteceu porque existiram duas formas de ver o mundo e o governo. A capitalista e comunista. Provou-se pela história que a comunista é na realidade o capitalismo monopolizado pelo Estado (capitalismo do estado) já que todas as empresas são dele => todo o dinheiro é dele. Isso levou à pobreza e à falta de liberdade mais depressa que o capitalismo liberal. Emfim, todas as grandes guerras aaconteceram porque duas partes tinham princípios e os defenderam. Como os defenderam é um detalhe a esta hora. O ponto é que eles tinham princípios e os defenderam. Hoje quem tem princípios, e quem os defende? Quem tem coragem para isso?

      Muitos têm princípios e os defendem. Existem lendas que até os criminosos têm princípios. O problema é que os princípios de hoje não são baseados em valores. Não são baseados em nada que pode elevar a sociedade ou o espírito do ser humano como espécie ou sociedade.

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