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A Ecologia, a Sacola e a Cultura

A partir do dia 25 de janeiro de 2012 uma nova lei permite que as loja cobrem pelas sacolinhas plásticas com que os clientes transportam as compras para casa.

As lojas querem que você acredite que deixarão de haver sacolas disponíveis nas lojas e tentam convencê-lo a comprar aquilo que chamam de “sacolas ecológicas” . Não vou sequer abordar o fato de muitas dessas sacolas conterem plastico, e de não serem de fato ecológicas… adiante. O ponto é : as lojas estão tentando convencer que ou você compra sacolas reutilizáveis agora, ou você vai começar a levar as compras para casa nas mãos.Mais do isso tentam você se sentir mal por usar sacolas plásticas agora responsabilizando o seu uso das suas sacolas pelos problemas ecológicos do uso do plástico e do não tratamento do lixo que são problemas mundiais.

Tudo estaria bem se as lojas realmente deixassem de usar sacolas plásticas e mudassem para o papel ou o tecido. Assim, ou você leva uma sacola reutilizável (não confundir com renovável) de qualquer material que você quiser ou você sai da loja com as compras não mão. Ora isto seria surreal. As lojas perderiam os clientes de oportunidade. Aqueles que não são clientes habituais e entram por impulso ou necessidade pontual.

A verdade é que as lojas continuarão a ter sacolas disponíveis. Mas por um preço.  A mudança não é na disponibilidade das sacolas plásticas, é no seu preço. Agora você terá que pagar por elas. Ninguém se engane achando que esta é uma atitude ecológica. É uma atitude econômica. Se o cliente tem que pagar pelas sacolas ele será mais cuidadoso a arrumar as compras nas sacolas e não usará uma sacola para cada item como muita gente faz. Além disso o custo da sacola é repassado ao cliente em vez de custar à loja. Basicamente a politica é : Quer uma sacola plástica ? Compre-a.  É bem diferente do que eles querem fazer parecer no marketing que seria “Quer uma sacola plástica ? Não temos. Porque defendemos o meio ambiente. “

Ora, se as lojas continuam tendo sacolas plásticas disponíveis, mas por um preço, então afinal como fica a ecologia ? Onde sempre fica : na carteira. A conclusão a tirar daqui é : você pode usar sacolas plásticas, desde que as compre. Se você pode poluir o mundo, desde que pague.

Mas o problemas não é apenas das lojas de produtos comestíveis. Todas as lojas estão tentando vender suas sacolas reutilizáveis com branding. Branding é uma estratégia em que se associa qualquer produto a uma marca. No caso a marca da loja. Neste espírito livrarias estão adotando a estratégia comercial de vender sacolas reutilizáveis.

Hoje entrei numa livraria cultura, com minha esposa, para comprar alguns livros. De vez em quanto dou uma olhada para ver o que ha na prateleira sobre desenvolvimento. Depois disto decidimos que queriamos comprar algumas sacolas reutilizáveis. Não pela pseudo-preocupação ecológia mas pelo simples fato de ter sacolas rutilizáveis. Pegamos duas sacolas de um modelo mais barato e outra de um modelo mais caro. Quando a moça do caixa passou os produtos o computador mostrou uma com preço diferente. A sacola custava 17 reais e o computador apontava 10 reais. Pelas regras do código do consumidor a loja é obrigada a vender pelo menor preço. Contudo a caixa não queria fazer isso nem consegui explicar porque o preço era diferente. Mas em vez de ativamente resolver o problema disse que tinhamos que falar com um vendedor. Claro que neste ponto já havia uma fila à espera. A loja em questão tem vários caixas no centro da loja em circulo. É simples para os clientes mudarem de fila, mas ninguém fazia isso.  Porque a fila tem que andar, a caixa usou a estratégia de nos mandar com um vendedor para resolver o problema. Dessa forma ela poderia continuar atendendo o resto da fila. Ora, você está sendo lesado pela loja, as pessoas têm opção de ir a outros caixas, porque cair nessa ratoeira. Eu fiquei e a minha esposa caçou um vendedor na multidão. O vendedor informou que se tratava de uma promoção. Porque eramos associados do programa de clientes e tinhamos crédito podiamos levar a sacola por dez reais. Agora o ponto era outro. Como saber se essa promoção realmente existe ou é uma desculpa para a divergência de preços ? Perguntamos então sobre onde está publicada a promoção. Toda a promoção tem que ser publica, ou seja, deve haver um cartaz um informativo qualquer e algum documento sobre as regras. Esta simples questão levou o vendedor a pedir que uma terceira pessoa – que se apresentou como a gerente – a intervir. A gerente repetiu o mesmo discurso do vendedor. Peguntamos pelo regulamento. Ela foi buscar. Esperamos. Enquanto esperávamos a fila estava travada e as pessoas começaram a mudar de fila. Claro que zangados. Connosco! Como se a culpa de falta de explicações fosse de quem faz as perguntas. Perguntamos à caixa sobre o exemplar do codigo do consumidor que a loja deve ter disponível para consulta. Queríamos mostrar do que estávamos falando. Não é questão de 7 reais de diferença. É a questão da relação fonecedor-consumidor. Para nossa surpresa ela não tinha um. Uma empresa como a Livraria Cultura, não era de esperar.

A gerente regressa. Sem o documento. Pedindo para irmos com ela a um ponto de consulta de preço. O objetivo é duplo aqui. Primeiro tirar-nos dali e fazer a fila andar. Repare que ninguém está preocupado com o que estamos dizendo, apenas em fazer a fila andar. Por outro lado queria mostrar que o preço padrão era 17. Tentei explicar para ela que eu sabia que o preço era 17 na consulta. Eu tinha feito essa consulta antes. O ponto não era esse. O ponto é que o computador do caixa, dizia um preço menor. A lei diz que tem que ser o menor preço anunciado. Não importa onde. Se é no totem de consulta ou no caixa ,ou num panfleto…

No impasse a gerente perguntou o que queriamos. Dissemos que queríamos compras todas as sacolas pelo menor preço, a menos que nos fosse apresentada a divulgação da promoção. Ela não conseguiu fazer prova da promoção e disse que nunca venderia pelo menor preço e que se não queriamos pagar pelo preço que o computador mostrava, deveriamos ir embora. Assim fizemos. Cancelando a compra. Fazendo uma reclamação por escrito. Finalmente a fila estava livre e andando. Era só esse o objetivo.

Na saida perguntámos ao segurança o nome do gerente. Queriamos aferir se era realmente a pessoa com que falámos. Ele falou para nossa surpresa que não existe um gerente. Que se tivessemos algum problema ele poderia chamar o atendimento ao cliente. Alguns detalhes. Enquanto esperávamos ligamos para dito atendimento. A pessoa estava nos vendo, mas não veio atender ou ver o que era o problema. Ambos vendedor e pseudo-gerente asseguravam que a promoção estava no site da Livraria Cultura. Ao chegar a casa verifiquei que não havia qualquer menção a qualquer promoção e o preço no site era 17 reais.

O maior choque é a falta de transparência. Ninguém sabe de nada. Só importa liberar a fila.E as pessoas afirmar ter cargos que nem existem…

Hoje mesmo na secção de desenvolvimento tinha um livro dobre HTML5. O único da loja. Em péssimo estado. Em qualquer loja competente aquele livro não estaria ali ou seria substituído por um em condições, ou um desconto seria dado. Afinal quem quer gastar dinheiro num livro completamente maltratado ? Perguntei ao vendedor se poderia aranjar outro exemplar ou dar um desconto. O que ele fez? Saiu sob a desculpa que iria ser se era possivel dar um desconto. Voltou dizendo que aquele era  o único exemplar e não havia desconto. Ok. É um direito da loja. E o meu direito é não comprar. Só não precisava de todo o teatro. Bastava dizer que não havia latitude para dar o desconto da primeira vez que perguntei.

Estão vendo o padrão ? Sair de perto do cliente sob a desculpa que vai resolver o problema e voltar sem ter feito nenhum esfoço. Qualquer esfoço. Nada. E esperar que o cliente tenha mudado de ideias ou tenha ido embora. Afinal o que faz uma livraria ? Vender livros ? Não.

É possível acreditar que empresas que nem saibem cuidar do seu negocio saibam cuidar da ecologia ou sequer saibam o que isso é ? Não. O que é muito fácil de acreditar é que as empresas e lojas de hoje em dia estão preocupadas apenas com lucrar. E lucrar significa vender mais e ter menos custos. Não importa que um cliente foi coagido a sair da loja sem o produto se um 50 outros formavam fila atrás dele.

É isso que me custou tentar comprar uma maldita sacola reutilizável …

Mas a historia não acaba aí. No caminho de casa passei num supermecado da rede Pão de Açucar onde comprei 3 sacolas de melhor qualidade por menor preço (13 reais). Um lugar onde todas as perguntas sobre o evento do dia 25 foram respondidas competentemente pelos funcionários.

Não é esperar muito que sejamos bem tratados como consumidores. Afinal damos um duro danado para ter esse dinheiro para gastar nas lojas. O minimo é que nos tratem bem.

Podem até enganar-nos com um papo ecologista que nos obriga a comprar sacolas reutilizáveis, mas querer fazer de nós estúpidos é pedir de mais. Eles estão se ajudando a si mesmos. A lei só torna isso oficial.

Respeito. É pedir muito ?

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Economia Verde, Economia Vermelha

Ha um ano que não escrevo para este blog. Não que não haja uma miríade de assuntos para escrever, mas porque me falta o tempo físico e mental para o escrever. Mas hoje, me ocorreu um pensamento que não posso deixar passar em branco.

Hoje em dia, é quotidiano ouvir falar sobre “verde”. Empresas verdes, produtos verdes, etc… Todos querendo salvar o mundo e natureza dos maus tratos que a humanidade lhe causa.

Sendo educado em ciências isto só por si me causa grande náusea, porque demonstra como a população mundial pode ser tão facilmente enganada pela mídia. Não ha realmente provas que exista realmente um aquecimento global, tal como não havia das causas do buraco do ozônio que todos já esqueceram  mas que ainda permanece lá. Quem existe para dizer que aquele buraco não é natural e sempre esteve ali. As “estatisticas” dizem que o globo está aquecendo cerca de 1ºC por século. Sendo que o termômetro foi inventado 1592 mas apenas no final do seculo XVIII se começaram a fazer medições periódicas na Inglaterra sendo que medição periódica em todo o mundo apenas foi conseguida no seculo XX.  Ou seja, um único século para medir o aumento de um grau por século. É como olhar o termometro durante uma hora e vê-lo subir 1ºC e concluir que a temperatura irá aumentar 1ºC por hora. O que realmente não leva em consideração o fato que essa mesma temperatura poderá não aumentar no período seguinte.

Muita gente ainda acredita que o nível das águas do mar irá aumentar quando os glaciares dos polos derreterem. Como uma experiência bem simples lhe mostrará , o gelo ocupa mais espaço que água liquida, o que significa que quando o gelo se transforma em água, o nível da água diminui. O que significa que o argumento é furado.  O nível da água do mar aumenta devido à dilatação da água e não ao descongelamento dos gelo. Faça a experiência. coloque gelo num copo e encha com água. Marque o nível da água. Espere o gelo derreter e marque de novo. Observe que o nível marcado no final é menor que o anterior.

Pois bem, no meio de toda este manbo-jambo feito para enganar a população a pagar mais pelos produtos , serviços e marcas “verdes” achando que estão salvando o mundo, mas que no fim, estão sendo apenas enganadas do seu dinheiro ha um problema mais grave.

Quantas dessas marcas, produtos ou serviços são manchados pelo trabalho escravo que é utilizado na sua fabricação. Não é  segredo para ninguem que não existem leis trabalhistas em muitos dos países asiáticos e que é exatamente lá que os produtos de marcas famosas são fabricados. Desde marcas de roupa e calçado e marcas de produtos de informática e aparelhos domésticos são fabricados por pessoas em condições de trabalho deploráveis e até por crianças e até de escravidão.

Então , quando você compra um produto e se pergunta se ele é verde e se os seus produtores se procuram com a Natureza , você também se pergunta como aquele produto foi feito e quantas crianças ou escravos o produziram ?

Você se preocupa que o produto é verde, mas não se ele é manchado pelo vermelho do sangue destes injustiçados ?

Porque você acha que o mundo está em uma crise econômica ? Porque milhões de pessoas não têm poder aquisitivo. Pode este que perderam quando as suas funções foram transferidas para pessoas na Ásia que recebem menos, ou mesmo nada e até crianças. E esses mesmos produtos são vendidos mais caro aqui do que antes. As marcas irão negar que empregam crianças ou escravos, mas todos nós sabemos que isso é mentira. Negabilidade significa que se pode negar, não que é mentira.

Os países  do chamado primeiro mundo não podem competir com isto. Não ha como competir com produção de custo zero. A não ser que as pessoas deixem de comprar os produtos produzidos dessa forma. Da mesma forma que se pede o boicote a produtos não-verdes porque ferem o ambiente e o legado que você irá deixar aos seus filhos, também os produtos vermelhos afetam o legado que você irá deixar aos seus filhos. Um mundo onde é licito alguns se aproveitarem da fragilidade dos governos para se utilizarem das pessoas a um nível criminosos, mas o outro lado do mundo não sabe, não enxerga e não quer saber sobre o problema.

Comparativamente queimar pretróleo é muito menos perigoso do que comprar estes produtos de marca manchada.

Você vai ler este texto e até poderá concordar com ele e falar dele aos seus amigos e tentar conscientizará-los do problema que a probreza do terceiro mundo se deve ao consumismo do primeiro e que a crise do primeiro se deve à falta de evolução do terceiro. Ou seja, a desigualdade é o motor para mais desigualdade.

Pessoas se procuram com o ambiente, com o uso de peles de animais roupas, como o uso de animais em testes de laboratório. Tudo isto é licito e importante porque abusar da natureza e de nossos companheiros animais. Mas da mesma forma não podemos abusar dos outros seres humanos. Não o fazemos diretamente  e por isso funciona para eles – os que ganham com isto.

Em vez de se preocupar com um problema “verde” que não existe e que foi desenhado para levar você a gastar mais dinheiro, preocupe-se com um problema real, documentado e existente de não ajudar a criar mais escravos e por mais crianças a trabalhar.

Sim, é possivel doar dinheiro para entidades que se ocupam com estas coisas, tal como é poissivel doar para organizações que se preocupam com o uso de animais para experiencias e vestuário e salvar as baleias. Mas as melhor forma de você ajudar tudo isto é consumir com consciência.

O ser humano consome por natureza é impossivel pará-lo de consumir. Mas consumir com responsabilidade não se limita a proteger os recuros naturais. Incluir em se responsabilizar por proteger vidas e valores morais numa sociedade cada vez mais globalizada. Cada vez menos importa a lingua, o pais e o seu credo e muito mais quais são so seus valores humanos. Esses são internacionalmente entendidos e aceites.

Protega o seu futuro e o de seus filhos e netos se procupando o mal que está fazendo ao mundo comprando produtos que são fabricados em condições precárias de um sub-mundo que só quer seu dinheiro custe a quem custar, desde que não seja a eles.

Se ha criminosos no mundo é apenas porque ha quem compre deles.

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O Mito da Carreira Profissional

Para muitas pessoas ter um emprego estável é uma meta importante. Estável significa que não será despedido tão cedo e que seu salário tende a acompanhar as suas necessidade. Deste conceito nasce o conceito de Carreira Profissional em que a pessoa evolui dentro da empresa se um trabalho para outro. Para alcançar isto, a pessoas tem que trabalhar exclusivamente em uma só empresa e  isso leva ao conceito de que o trabalhador “pertence” à empresa.

O conceito de que o trabalhador “pertence” à empresa leva ao conceito de que se a empresa protege seus bens, então deve proteger seus trabalhadores. Especialmente deve manter os seus salários altos. Por outro lado, leva ao conceito de que a empresa é o conjunto dos seus trabalhadores. Tudo isto são ilusões.

Na realidade o trabalhador é livre para mudar de emprego para outra empresa a qualquer momento, e a empresa é livre de mudar de empregados a qualquer momento. Não existe vinculo exceto aquele condicionado pelo horário de trabalho que, na prática, causa um vinculo de exclusividade, embora na teoria a pessoa é livre de ter quantos trabalhos quiser.

O trabalho é um fator produtivo como qualquer outro. Se uma matéria prima escasseia a empresa irá antever formas de substituir essa matéria prima por outra. O mesmo se aumentar de preço. Se a matéria prima abunda o seu preço é menor porque a concorrência assim o força. O mesmo com o trabalho. Se ha muitos trabalhadores de uma certa especialidade a empresa contrata os mais baratos, se ha poucos, ela tem que competir pelos poucos que ha aumentando o salário. Claro que ao falar em salário me refiro inclusivamente a todos os benefícios que são pagos.

Não existe ponto de equilíbrio. É um processo cíclico constantemente em rotação.

Neste cenário não faz sentido pensar que a pessoa tem alguma chance de permanecer na mesma empresa por muito tempo. É simples. Quando ela acumular um valor que se equiparar ao do mercado ela será substituída. O truque, portanto, é nunca deixar que a massa do mercado chegue nos seus calcanhares. A pessoa tem que se manter acima da média, bem acima, para se manter na posição que ocupa. Por outro lado, em outra empresa, essa mesma posição pode pagar melhor ou ser de alguma forma mais vantajosa. E ai é tempo da pessoa mudar de empresa.

Da mesma forma que as empresas procuram constantemente revitalizar seu quadro, também os trabalhadores  precisam se mover entre as empresas. A idéia de que a pessoa entra no departamento de entregas e depois de um tempo acaba na presidência não advém de um mecanismo interno da empresa, mas sim da constante busca dessa pessoa em se destacar da massa que o rodeia.

Neste sentido, a Carreira Profissional é o conjunto de operações, estudos, e extensões que a pessoa adquire ao longo da vida que lhe permitem se manter acima da massa regular  e não o conjunto de cargos que ocupou numa mesma empresa.

É um erro entrar numa empresa e esperar ficar nela para sempre. Igualmente é um erro sair dela antes de aprender o suficiente. Do ponto de vista da empresa é um erro manter pessoas que não evoluem, mas igualmente é um erro não lhes dar espaço para evoluir.

Acho que a conclusão é : não existe segurança no emprego, então parta do principio que você vai mudar mais cedo ou mais tarde e não que vai ficar ai para sempre.

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Aceleração

O conceito cinemático de aceleração é muito simples. A aceleração representa a alteração de velocidade. E isto significa não apenas a alteração da magnitude da velocidade mas também da sua direção.

O conceito mecânico de aceleração é mais complexo. Está ligado ao conceito de força através do conceito de massa inercial. A força, por sua vez, está ligada ao conceito de trabalho e este ao de energia. Basicamente: a transferência de energia entre dois corpos físicos provoca a produção de  trabalho em um e a realização de trabalho pelo outro. A energia do corpo sobre o qual é a realizado o trabalho aumenta e isso leva a velocidade a aumentar, produzindo aceleração.  Ou seja, força provoca a aceleração que é a alteração da velocidade.

Contudo o inverso é também verdade. Alteração da velocidade produz força.

Estou certo que os condutores de ônibus de São Paulo são sabem disto, mas cada vez que eles pisão o freio ou o acelerador eles provocam um movimento dos passageiros. E quanto mais brusco o pisar, mas brusca a alteração do movimento. Tanto que o passageiro pode ser projetado além da sua vontade … isso é verdade, já vi acontecer, e prova que a física não é nenhuma mentira.

O ser humano está submetido constantemente à aceleração da força de gravidade, embora ele não note, pois é “construído” para não se dar conta que é submetido à aceleração da gravidade constantemente. Digamos que ele é sensível à mudança de aceleração e porque a aceleração da gravidade é sempre a mesma, não damos por ela, ou estamos, de alguma forma preparados para não nos darmos conta disso (outros seres vivos estão, como as plantas, que crescem para cima porque é o sentido oposto ao da aceleração).

Felizmente o que Deus não nos deu em sentidos nos deu em inteligência e somos capazes de criar aparelhos que medem a aceleração, os acelerômetros.  Acelerômetros, hoje em dia são corriqueiros. São eles que lhe permitem jogar no seu console apenas com movimentos , ou que a tela do seu handlet ou laptop se reposicione conforme a inclinação que dá ao aparelho.  Simples e divertido. Só possível porque tudo na Terra está submetido a uma aceleração constante todo o tempo, em todo o lugar.

A aceleração tem ainda uma outra relação com o seu humano. Quando um ser humano é submetido a acelerações muito diferentes que a da gravidade ( 9,8 m/s2) ele sente-se mal. Tão mal ao ponto de vomitar, desmaiar e até morrer.  É por isso que a aceleração está intimamente ligada ao conforto dos passageiros em qualquer transporte. Aviões têm que ganhar muita velocidade para poderem levantar voo, mas não a podem ganhar muito depressa porque isso seria equivalente a uma aceleração forte demais para um ser humano comum (por isso que a lista é longa e ha regras para quanto um avião pode acelerar). Pilotos e Astronautas são treinados para serem capazes de suportar acelerações maiores que um ser humano comum, sem passarem mal.

É claro que, alheios à qualidade do transporte urbano, as empresas de ônibus de São Paulo não instruem os seus condutores a terem cuidado com o nível de aceleração do veículo, já que isso é diretamente proporcional ao conforto do passageiro, e este ao nível de satisfação. Em uma sociedade civilizada não seria necessário dizer, mas em uma em que os condutores dirigem descalços é bom lembrar que o passageiro é um ser humano que sofre com a aceleração extrema do veículo. São pessoas que estão sendo transportadas, não plantas.

Talvez a prefeitura queira instalar acelerômetros nos ônibus e não repassar o valor da passagem por infrações à qualidade, tal como acontece na aviação. Acelerômetros são baratos, até os celulares os têm hoje em dia, então não há desculpa para esta falta de cuidado.

Hum… já agora, é por causa da aceleração que é preciso usar cinto de segurança. É porque se o veículo travar de repente (e quanto mais de repente, maior a aceleração) uma aceleração do seu corpo irá acontecer e você será projetado para fora do veículo através do parabrisa.

Tome cuidado, não acelere.

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Lixeira a céu aberto

Em pleno século XXI, em uma das cidades mais populosas do mundo, parece que vivemos em uma lixeira a céu aberto. São Paulo está mais para depósito de lixo do que para cidade, e a responsabilidade é da perfeitura, claro.

Não há política suficiente para levar as pessoas a reciclar e a depositar o lixo nos contentores de lixo (caixotes de lixo) se eles não existem! Tomando-se atenção a rua , constata-se que não há um caixote de lixo utilizável em centenas de metros, quando deveria existir um a cada 20-60 metros ao seu redor.

Você come um snack, um sorvete, uma balinha e não tem onde raios colocar o lixo, mesmo quando vcocê quer! O resultado? O lixo é largado no chão.

Eu fui educado e habituado a deitar o lixo no caixote e me custa demasiado deitar o lixo no chão. A solução é guardá-lo e jogar em casa. Mas ai estamos só adiando o problema.

Não existem contentores para recolher o lixo de casas e ou prédios. O máximo que se vê são umas “cestas” onde as pessoas depositam os sacos de lixo. Isto é talvez mais higiênico que colocar no chão, mas não deixa de ser um eufemismo. A real solução é colocar contentores pela cidade afora tanto para casas como para uso na rua.

Muitos problemas acontecem aos caixotes como vandalismo. Em uma sociedade pouco civilizada como a brasileira, isto ainda é um problema. A solução é disponibilizar caixotes baratos que possam ser produzidos e substituídos em grande quantidade. E isto deve ser feito pela prefeitura!

Lixo na rua, sobretudo lixo originado de casas, é fonte de alimento para insetos e animais que transportam doenças. Doença atinge a sociedade e leva as pessoas ao sistema de saúde, o que, por sua vez, leva a prefeitura e, em última análise, o país a gastar mais dinheiro, dinheiro este  que deveria ser gasto em caixotes do lixo para evitar as doenças em primeiro lugar.

Não vou nem falar do lixo abandonado ao longo de estradas e lixo originado em hospitais (que deveria ser incinerado). Nem vou falar do absurdo que é ver os médicos e pessoal de saúde sair na rua com sseus jalecos brancos. Qualquer um sabe que hospitais são focos de proliferação de bactérias perigosíssimas que no hospital não causam grande problema devido à estilização constante (espera-se), mas que no mundo cá fora são tão perigosas quanto a dengue.

Os governos das três esferas e o órgão regulamentador da profissão médica (CFM) assistem impávidos e serenos a esta calamidade de saúde pública e nada fazem. Será que é assim tão difícil colocar uns caixotes do lixo na rua?

Eu quero colocar o lixo no caixote! Porque a perfeitura não me deixa ?

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Atlas

Não é segredo para ninguém que as aplicações autalmente tem que ser conscientes do mundo em que vivem. Aplicações com capacidades de internacionalização e localização são cada vez mais comuns e necessárias. Java provê os desenvolvedores com uma boa gama de ferramentas para construir programas com este requisito mas ainda tem um longo caminho a percorrer.

Uma forma recente de internacionalização é a capacidade das aplicações trabalharem com dados geográficos. Isso é possível hoje em dia principalmente porque a rede GPS existe. Embora os sistemas de GPS tenham origem militar (já ouviu falar de bombas inteligentes?), a Agencia Espacial Européia promete um sistema completamente civil até 2013. Isto é muito importante porque sendo os sistemas atuais militares não há garantia que funcionem para sempre. O sistema americano, o primeiro, foi liberado ao público civil aos poucos e com restrições que – de propósito – induziam a erros. Se as aplicações de hoje vão se basear em geo-posicionamento é bom que possamos ter garantias de algum tipo.

Um outro tipo interessante de posicionamento é aquele possibilitado pelos sistemas de telefonia celular. O termo “celular” advém da cobertura do sinal ser feita por áreas especificas – chamadas celulas – alimentadas por um antena. O posicionamento das antenas e a sua densidade tornam o sinal melhor ou pior. Aplicando um principio semelhante ao do GPS é possível triangular a posição do aparelho dentro da rede celular e determinar a sua posição. Esta posição é tanto mais exata quanto maior a densidade da rede. O ponto relevante aqui é que o posicionamento é possível mesmo sem a rede GPS disponível, mas nesse caso não é global.

Por outro lado temos a cobertura de mapas. Afinal saber a latitude e longitude da sua posição não adianta muito se você não souber o que o rodeia. Projetos como o Google Earth trouxeram a público as vantagens de poder consultar mapas on-line.

Finalmente, mas não menos importantes, aparecem os serviços de localização de endereço. Afinal, esse sempre foi o método clássico de referir a posição geográfica de alguma coisa. A possibilidade que os serviços atuais oferecem de encontrar , em mapas, a localização de um endereço possibilita a relação final.

Junte-se os mapas com o posicionamento global e os serviços de localização por endereço e temos uma ferramenta poderosa que pode ajudar, e muito, em aplicações de vários tipos. Especialmente relacionadas a transporte, claro, mas também em outras áreas como segurança, agricultura e até turismo.

Prepare-se, aplicações que fazem uso de geo-posicionamento serão tão comuns no futuro como hoje são as que usam bancos de dados. Quem sabe um dia se tornarão comodity como os bancos de dados são hoje.

Paradigma

O que é um Paradigma

A definição de paradigma no dicionário é:

do Lat. paradigma < Gr. parádeigma, modelo
s. m.,
	modelo;
	norma;
	exemplo;
	padrão;
	tipo de conjugação ou declinação gramatical.
http://www.priberam.pt

Entretanto, note que o vocábulo é usado normalmente como sinônimo de um meta-modelo ou meta-norma, ou seja, como uma diretiva para a construção de outros modelos e normas. A palavra paradigma possui várias utilizações[1] relacionadas à ciência, à filosofia e até à religião, mas o seu principal uso dá-se no ramo da epistemologia[2]: a teoria que estuda problemas filosóficos relacionados à crença e ao conhecimento (sim, são coisas diferentes).

Paradigmas são ao mesmo tempo o bem e o mal do mundo. O bem advém da sucessiva alteração de paradigmas, ou seja, a vigência de um paradigma é limitada no tempo e no espaço. Assim, um paradigma aceito em uma cultura em determinado período, pode não ser aceito em outro período pela mesma cultura, ou no mesmo período por culturas diferentes. Isso cria diversidade: o que é bom. Por outro lado, os paradigmas podem ser encarados como o mal do mundo porque a falha das pessoas em reconhecerem que o seu pensamento é submetido a um (ou mais) paradigma vigente as tornam intransigentes, ignorantes e, em última análise, estúpidas.

A epistemologia é a teoria que pretende discernir o que é submissão a paradigmas (crenças) daquilo que é conhecimento (saber imparcial, reaplicável e reaproveitável). Observe-se que conhecimento não se limita a conhecimento científico, este é apenas um dos vários tipos possíveis. O conhecimento científico é aquele obtido através de um certo método e que goza de propriedades especiais relativamente a outros tipos.

De igual forma, a epistemologia pretende analisar como os paradigmas são criados, alterados e abandonados. No fundo, discernir o ciclo de vida dos paradigmas e suas interações é uma das preocupações da epistemologia. Para entendermos bem o valor desta teoria temos que entender que ferramentas ela utiliza. A primeira delas é a História, visto que a evolução do pensamento, crença e conhecimento ao longo dos tempos denota a sucessão dos paradigmas, isto é, como eles se suplantaram em seqüência até hoje. Outra ferramenta é a Lógica, que distingue afirmações falaciosas de afirmações válidas (não necessariamente verdadeiras, mas pelo menos, não falsas à partida). O trabalho dela é filtrar o que se diz e pensa, de forma a extrair as impurezas resultantes de paradigmas vigentes na atualidade. A Matemática pode ser uma ferramenta utilizada em casos mais específicos. Por exemplo, em epistemologia da ciência, a linguagem matemática é mais eficiente em manter coerência lógica ao longo do tempo. Contudo, também ela é sujeita a paradigmas e, portanto, não é completamente imparcial. A história mostra que assim é: antigamente certos números eram preferidos em detrimento de outros para certos usos. Isto denota uma restrição imposta pela sociedade e cultura (o paradigma) e não uma verdadeira restrição do conhecimento matemático em si.

Paralaxe dos Paradigmas

Durante a vida de um Paradigma acontece que um pequeno conjunto de pessoas se torna consciente do um novo paradigma. O seu trabalho e esforço tornam o novo paradigma conhecido de outras. Assim, à medida que o conhecimento do novo paradigma se alastra, o uso do velho diminui, até ao ponto em que todas as pessoas utilizam o novo paradigma e velho é historia.

É esse período de transição onde um novo paradigma aparece, convive com o anterior e finalmente se torna o paradigma padrão vou chamar Paralaxe dos Paradigmas (à falta de melhor termo). Paralaxe é um termo usado em astronomia para referir o movimento aparente de uma estrela quando observada de um planeta[4]. Aqui se refere à dinâmica que leva um paradigma a ser abandonado e outro a ser aceite.

Existem opiniões divergentes sobre como um paradigma aparece e outro desaparece. O que interessa aqui é que isso acontece: um aparece e outro desaparece. Essa alteração de paradigma convencionou-se chamar “Quebra de Paradigma” embora a passagem de um para o outro não seja abrupta, mas contínua. Ou seja, um novo paradigma não é aceite por todas as pessoas da noite para o dia. É um processo que demora tempo.

Em bom entender: os paradigmas não se transformam em outros, eles são realmente órfãos sem nenhum parentesco entre si. O que ocorre é uma convivência durante um certo período de tempo. É durante esta sobreposição que acontece a paralaxe.

Estudar este fenômeno, em si próprio, é interessante já que está constantemente acontecendo em vários níveis da vida do ser humano. Há bem pouco tempo atrás (séculos são pouco tempo em epistemologia) seguiam-se paradigmas como: as mulheres não deveriam trabalhar por um salário, o homosexualismo era uma doença psicológica ou o meio-ambiente era mero palco passivo da nossa existência. Hoje se aceita que as mulheres trabalhem profissionalmente, o homosexualismo é visto como uma forma de exercício da liberdade individual e o meio-ambiente é reconhecido como elemento simbiótico e necessário à existência da humanidade. Se olharmos para os ramos das ciências, ou os das várias religiões, teremos ainda mais exemplos.

O ser humano é um animal cuja maior capacidade física é possuir capacidade mental. Ele se alimenta de conhecimento com o mesmo vigor que se alimentar de comida. Sustentar a mente é tão, ou mais, importante que sustentar o corpo, e isso dá ao ser humano capacidades e responsabilidades inexistentes em outros animais. Mas tal como a comida pode ser envenenada e fazê-lo definhar lentamente, também o saber acumulado pode ser tingido de imperfeições que definham a sua mente.

É o papel dos paradigmas manterem a humanidade em evolução pela constante alteração daquilo em que elas crêem. Paradigmas não são conjuntos de conhecimento “puro” e sim conjuntos de crenças, submetidas ao escrutínio da sociedade, da sua cultura, de suas mágoas, desejos e esperanças. A sucessão dos paradigmas é uma medida da maturidade da civilização humana como um todo, e isso não pode ser ignorado.

Agentes da Paralaxe

A paralaxe dos paradigmas não é um mecanismo provido pelo universo e sim pela aleatoriedade, pela dispersão estatística do mesmo padrão – afinal é apenas uma ilusão. É da natureza de alguns documentarem o paradigma vigente, de outros, de o desafiar; e há ainda aqueles cujo feitio é o de se apegarem teimosamente ao paradigma passado. Felizmente, existem alguns poucos cuja natureza é a de propor novos paradigmas. Nem todos os paradigmas têm relevo suficiente para se tornarem aceitos universalmente por um longo período de tempo (alguns séculos). É interessante observar que para cada uma destas posturas assumidas pelo ser humano frente às mudança de paradigma nascem ofícios relacionados. A ciência, por exemplo, é o ofício de quem quer propor novos paradigmas para entender o universo em que vivemos. Entretanto, ela é boicotada por quem, dentro dela, não vê além do paradigma onde a ciência se inclui: a crença que podemos realmente ter a certeza de entendemos o universo, isto é, a crença que ele é intelegível e que temos ferramentas – ou as podemos construir – para alcançar essa finalidade.

Velhos do Restelo[4], que sempre são contra qualquer novidade, são a força que nos mantém no paradigma anterior, como bolas de chumbo nos pés de prisioneiros, amarras que seguram o barco no cais. Por outro lado, estes conservadores mantém acesos faróis que indicam portos seguros, para onde podemos ir sempre que algo der errado e nos perdermos. E essa necessidade de voltar é muito grande pois é muito mais fácil permanecer em porto já conhecido que procurar o desconhecido. Contudo, existem aqueles que fazem isso.

Desbravar novos caminhos, terrenos ou não, é a missão dos pioneiros. Aqueles que, na vanguarda, aceleram o descobrimento e mostram as maravilhas de novos conhecimentos, novos lugares, novas realidades àqueles que vêm atrás.

Escribas cujo trabalho é documentar tudo o que acontece: opiniões, fatos, conceitos, escolhas, sentimentos. Historiadores fazem este trabalho com gosto. Arqueólogos põem a mão na massa procurando provas do que aconteceu no passado. Visionários mostram os caminhos possíveis a partir daqui. Filósofos interrogam-se sobre se não está faltando algo nestas redações. Eles vivem a mudança e se alimentam dela.

Finalmente existem os Transportados. Aqueles que, impávidos e serenos, não interferem em nada com o ciclo de vida dos paradigmas. Seguem aquele que a maioria seguir, ou aquele que lhes for ordenado seguir. Estes são os corruptíveis que não acreditam em nada, nem sequer no que têm ao contrário dos conservadores. Tanto lhes faz o resultado final e portanto, tentam aproveitar a viagem. O papel dos transportados na paralaxe dos paradigmas é serem um volume. O volume que os Pioneiro têm que guiar para que o paradigma mude. O volume que os Conservadores têm que conter para que ele não mude. O volume, cujas reações os escribas têm que documentar.

O agentes da paralaxe não estão sozinhos e a sua missão não é vazia de perigos. Conservadores podem muito bem atrasar a sucessão natural dos paradigmas (lembre-se da “Idade da Trevas”). Desbravadores podem avançar demasiado depressa ou na direção errada (experiências genéticas irregulares, extermínio étnico e a procura da raça perfeita). Escribas podem confundir os fatos com as opiniões, as escolhas com as circunstâncias. O resultado de tudo isto pode ser devastador. Desta forma, os mesmos agentes da paralaxe dos paradigmas podem ser os agentes da sua destruição. Isso não é errado ou certo, bom ou mau; simplesmente é assim.

Navegando na crista da onda

O papel da epistemologia é ficar de fora do ciclo de sucessão dos paradigmas. Afinal, essa é a única forma de os analisar imparcialmente. Contudo, essa é uma tarefa impossível à partida, já que a epistemologia é conhecimento em si mesmo e portanto submetida a paradigmas. A tarefa da epistemologia é continuamente procurar não cair em um paradigma em particular e a única forma de fazer isso é manter um historial de todos eles. A epistemologia também tem seus escribas, desbravadores e conservadores. Um epistemólogo é simultaneamente todos eles pois é pela constante alteração de perspectiva que ele mantém sua observação imparcial (o mais possível). É atuando dessa forma que ele se dá conta que a paralaxe é uma ilusão. Isto funciona se alguém assume todos os papéis de forma sã, mas é um perigo quando alguém assume um só papel. Isso o transforma de epistemólogo para desbravador, escriba ou conservador apenas.

Navegar na crista da onda da sucessão dos paradigmas, ou seja, permanecer acima do dilema e da dicotomia dos paradigmas; apresenta-se como tarefa de impossível execução para um ser humano, mas alcançável pela humanidade. A especialidade de cada um, o talento e cada um, pode ser colocado ao dispor da epistemologia, para que um dia possamos saber resolver problemas que advém da nossa natural insatisfação com o mundo e com os outros e da inerente paralaxe que existe devida à nossa posição no universo.

Referências

[1] Paradigma
Wikipédia
Editor:
URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Paradigma
[2] Epistemologia
Wikipédia
Editor:
URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Epistemologia
[3] Paralaxe
Wikipédia
Editor:
URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Paralaxe
[4] Velho do Restelo
Wikipédia
Editor:
URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Velho_do_Restelo

Licença

Creative Commons License Sérgio Taborda
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Civilização

Andava a algum tempo procurando uma definição do que é civilização/civilizado. Isto porque na sociedades de hoje esse conceito parece ser muito importante. Diz-se que os países “de primeiro mundo” são mais civilizados. Mas o que isso significa?

A primeira coisa que vêm à cabeça é a noção de que existe uma maior atuação do terceiro setor (indústria) ou até do quarto (serviços). Entretanto, essa acepção traduz apenas uma definição econominicista. Eu procurava algo mais fundamental.

Depois de um tempo pensando nisto, a conclusão a que cheguei é que ser civilizado significa na realidade seguir regras implícitas. Quanto mais regras implícitas se segue, mais civilizado se é. De alguma forma isso é relacionado à educação do indivíduo, a qual forma a educação de um país, e a qual, por sua vez, leva a uma imagem de civilização.

Seguir regras implícitas não quer dizer seguir a lei. As leis são regras explícitas. Seriam regras implícitas por exemplo não fumar junto de pessoas que não fumam. Se a pessoa pede licença ela está sendo educada (ou cínica), mas não está seguindo a uma regra implícita. Está na realidade tentando contorná-la. O mesmo se aplicaria a não jogar lixo no chão. Não é proibido por lei que se jogue lixo no chão mas o cumprimento desta regra torna o indivíduo mais civilizado. Outro exemplo seria o exercício do direito de voto. Se a pessoa não vota está minando a regra implícita da democracia que é a livre participação e decisão conjunta.

Como saber se o pais é civilizado? Uma boa forma de medir isso é pela quantidade de sinais necessários para guiar a pessoa a cumprir as regras. Sinais como “Não fume” ou “Não jogue lixo no chão” seriam desnecessários se todas as pessoas da sociedade fossem civilizadas, ou pelo menos, a maioria fosse. Um outro fator é o desdém por padrões (que são regras implícitas) e desprezo por quem segue as regras.

O desdém e o desprezo para com as pessoas, que pela sua consciência seguem as regras e são indivíduos civilizados, destrói as tentativas de estimular outros a seguirem as regras. Logo, destrói qualquer tentativa de civilização.

Muitas vezes, em países menos civilizados são criadas regras explícitas para levarem as pessoas a fazer o que é correto. Exemplo disso são as leis relacionadas a proibição de se fumar em elevadores ou restaurantes. Leis de proteção ambiental, como a proibição de afixação de cartazes em espaços públicos, a proibição de jogar lixo nas vias públicas, ou simplesmente proibições como “não colha as flores”.

Às vezes a civilização é algo muito escondido nos detalhes. Frases como “Proibida a entrada” demonstram uma civilização diferente da maioria das pessoas que frases como “Área Restrita. Não entre”.

A cultura é algo que é próprio de cada nação/região/grupo etc., mas a civilização não é. Todos podemos ser civilizados mesmo pertencendo a nações, regiões, grupos diferentes. Contudo, a resistência à civilização é um traço da cultura e é isso que causa as diferenças. Países “menos civilizados” não são aqueles com pior economia, são aqueles com mais resistência a seguir regras implícitas de sociedade. Essa resistência, no fim, se reflete na economia, na política, na educação, e portanto, na produção científica, artística e filosófica de um país.

Categories: Política

Esquecimento Global

Infelizmente os conceitos de independência e objetividade em que a ciência se baseia não são seguidas pelos próprios cientistas. Afinal, ser cientista é como qualquer profissão: você precisa ser contratado por alguém para fazer alguma coisa.

Quando esse contrato termina ou está quase a terminar, o trabalhador precisa criar novas oportunidades para continuar no seu posto. Em ciência isso significa fazer novas descobertas ou trabalhar nas descobertas de outros. Ou até mesmo inventar novas coisas para poder trabalhar e justificar o seu salário. Infelizmente é assim.

Se o tempo e o espaço são relativos e tempo é dinheiro , então o dinheiro ganho também é relativo ao espaço que você ocupa na empresa/laboratório.

O mais recente problema derivado deste promiscuidade é a teoria do aquecimento global, que tal como o problema da camada de ozônio a um tempo atrás (cujo buraco diminui e ninguém sabe por quê) leva a especulações menos sérias do problema.

O acordo de Kioto é importante? Claro que sim. Afinal poluir nunca foi bom, mas nunca ninguém teve que prestar contas da poluição. Agora, com a espada do destino apontada ao gelo dos pólos, os empresários caçam a boa vontade da população para produtos verdes que não vão matar você , nem seus filhos, nem netos, etc… daqui a milhões de minutos. Sim, porque o bicho-papão do aquecimento global come depressa e daqui a nada vai destruir a Terra.

Mas que palermice. Os cientistas precisa de suportar a existência de um problema para justificarem seus salários em busca de soluções: as quais não existem sem um problema real. Os empresários usam o medo das populações para vender mais caro, justificando-se que produtos verdes são mais caros, mas não matam você, nem sua família. Os governos convencidos pelos empresários (afinal mais vendas = mais imposto) assinam protocolos imbecis para gerar o que os governos mais gostam: circulação de capital nos mercados internacionais (e pensava você que eles queriam salvar a Terra….)
E a população, que não entende que está sendo sugada por todos continua acreditando sem provas. Mas talvez ela goste de acreditar.

A verdade é que a poluição é má. Sempre foi. Sempre será. A verdade é que os governos não têm coragem para defender sua população e recursos dos empresários que visam o lucro e se importam um pepino com as conseqüências. Num mundo normal, os governos teriam obrigados os empresários a reduzir a poluição, poderiam até incentivar isso com mecanismos financeiros, mas não precisariam de desculpas. Simplesmente saber que poluir é mau deveria bastar.

Como o buraco da camada de ozônio – que ninguém sabe de onde veio (aliás poderia ter estado lá desde sempre) obrigou os produtores de aerossol a substituir as suas tecnologias o aquecimento global irá mudar todas as indústria. Claro, se os EUA concordarem com o acordo internacional. Já que se eles não concordarem o efeito da redução é ridículo e desprezível para a diminuição do aquecimento e vamos morrer na mesma. Alguém vai chutar o … dos EUA por causa disso?

O que interessante é que os cientistas não especulam sobre o problema. Outras origens, como a alteração dos campos magnéticos da terra, ou um pouco estudado ciclo de mudanças climáticas mundiais… talvez eles não queiram. Afinal, no fundo, todos queremos obrigar as empresas a fazerem o que é certo e os governos a zelar por que elas o façam. Se o preço é vivermos enganados, que seja.

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A Ciência

Como formado e interessado em Física sempre me despertou a curiosidade pelas leis da natureza e pela ciência em geral. Embora possa apontar formas em que a ciência causou danos à sociedade da mesma forma que a religão causou na idade média, não podemos fugir da certeza que se ha formas de compreender o universo, a ciência é uma delas.

Durante algum tempo atrás foi frequentador assíduo da CienciaList , a qual, aliás recomendo pelo elevado grau de conhecimento e educação dos intervenientes. Neste tempo me dei conta que existe um défice em divulgação da ciência para a população. Exitem formas muito interessantes como Feiras de Ciência, mas formas mais tradicionais como museus não chegam a tocar o coração da maioria. Mesmo assim há interesse sobre os assuntos topo de linha da ciência de hoje porque cada vez mais – e ainda bem – as pessoas querem poder entender por elas mesmas os avanços conquistados.

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