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Archive for the ‘Ciência’ Category

Quem mexeu no meu calendário ?

Como a racionalidade humana pode parecer ilógica.

Sabe-se bem quantos dias tem um determinado ano. Do ponto de vista estrictamente cientifico e fenomenológico o periodo de um ano é o intervalo de tempo  entre duas passagens consecutivas do sol por um determinado ponto pre-defenido da sua órbita aparente. Como o Sol no seu moviemento de revolução aparente em torno da Terra , transcreve uma órbita eliptica, esta é, logo, fechada e periodica.

Este tempo iguala 365.26 dias ( despresando termos de ordem inferior a 0.01) Mas como os humanos nunca se deram bem a tratar de numeros não inteiros achou-se por bem tornar o ano um periodo inteiro de dias ( assim como o mesmo se fez para as horas , pois o periodo de rotação também não é de 24h certas) Assim o ano passou a ter 365 dias exactos e a chamar-se ano civil , pelo facto de ser adequado às contas temporais das pessoas no dia a dia.

Mas para manter uma relação com o tempo verdadeiro da viajem da terra em torno do sol ou o que vai dar ao mesmo ; e naquela época era assim que se considerava ; do sol em torno da terra – achou-se também por bem de 4 em 4 anos civis o ano conter um ano suplementar. Desta forma 0.26 x 4=1.04 onde 0.04 se despresou completamente. Isto explica porquê os anos não são todos iguais. Mas imagine-se a si a fazer todas estas contas à um bom tempo atraz. Onde acrescentaria esse dia ?

Temos 3 hipoteses. No inicio do ano , no meio do ano ou no fim do ano. É nesta altura sensato relembrar que antigamente  o que dava de comer às gentes era a agricultura e toda a sua vida se baseava na fertalização, sementeira , crescimemto e recolha dos produtos. Ora , onde colocariamos esse dia a mais ? Seria um dia para nos divertirmos ou para trabalharmos ? Suponho que um dia de 4 em 4 anos seria suficientemente invulgar para ser de festa. Aceitando isto, se você vivesse no hemisfério norte naquele tempo onde colocaria esse dia  suplememtar?  Provávelmente seria colocado no inicio da primavera ou pelo menos quando o tempo fosse o suficientemente bom para festejar. Mas porquê não no verão ? Bom no verão faz mais calor , e se o frio a mais não é bom para festejar o calor de mais também não é. Portanto seria colocado no inico da primavera. Mas em relação ao ano  seria onde ?

Segundo o calendário de hoje seria no inico , bom mais ou menos , fim do 1º trimestre.E naquela altura ? Faria sentido colocar um dia destes no interior do ano , quebrando o ritmo para “festejar” um dia suplementar ? Acho que não, ainda para mais conhecendo o rigor com que estas coisas do cultivo era seguido. Este aspecto remete-nos para uma descrepância entre o calendário actual e o que parece ter tido lugar antes. Mas não é o unico.

Os dias do mês de fevereiro são ondulantes , ou seja , são 28 ou 29 conforme o ano. Porquê colocar este mês como segundo mês ? Era muito mais logico colocá-lo no fim , ou no inicio. Ainda para mais não é um mês que respeita a regra do 31-30. Supondo que o dia é acrescentado , parece evidente que seria acrescentado no fim dos 28 dias normais. Ou seja Fevereiro ao ser variável por exesso não faria sentido colocá-lo no inicio do ano, mas sim no fim do ano , onde se pode acrescentar. Acrescentar implica , que me lembre , sempre , fazê-lo no fim. Ora sendo assim como é que temos fevereiro como 2º mês do nosso ano ?

Além disso temos mais., existem 2 meses consecutivos com 31 dias; Julho e Agosto. Mas estes meses são consecutivamente o mês 7 e 8 dos 12 do ano. Ora se o ano tem 12 meses e se temos 2 iguais consecutivos não seria mais logico colocá-los como os meses 5 e 6, ou seja, no meio do ano? Uma ultima curiosidade. Os prefixos devem servir para alguma coisa ou não os usariamos , certo ? Supondo que isto é verdade e atendendo aos prefixos comuns como , bi , di ,tri ,hexa , sept , oct , nov, dex reparamos que temos meses que têm estes prefixos :  Se(p)tembro , Ou(c)tubro ,Novembro, Dezembro. Parece então que estes meses deveriam ser os meses 7 ,8 ,9 e 10  e não os 9,10,11 e 12. Em todas esta questões deparamos com sempre 2 meses de diferença ou seja Fevereiro é o 2º em vez do ultimo ( 12=0 ) , julho e agosto são so 7 , 8 em vez de 5 e 6 e por fim os ultimos meses do ano. Como explicar isto ?

A resposta é muito simples. Antes o ano começava, no Equinócio da primavera , o tempo era contado pelas colheitas ( por ciclos de rotação das colheitas , se quiser). Ora o Equinocio de primavera dá-se em Março , 21 de Março. Se fizermos Março como o mês 1 então fevereiro seria o mês 12 ( sendo agora compreensivel ) , julho seria o mês 5 e agosto o mes 6 , sendo também agora possivel estabelecer a relação entre os prefixos e os meses. Se(p)tembro =7 , Ou(c)tubro=8 ,Novembro =9 e Dezembro =10. Esta simples hipotese parece arrumar tudo nos sitios certos. Então porquê a descrepância com o calendário actual ?

Quando se soube que existia uma ordem no movimento aparente de revolução do sol, soube-se que era por esta orbita ser uma elipse e logo se soube também que a Terra estaria num desses focos ( lembre-se que analizamos o movimento do sol , embora aparente , era o usado pelos antigos agricultores. do ponto de vista da seguinte discusão é irrelevante esse promenor , “que o quê gira sobre o quê” ) Assim haveria uma altura em que a distancia Terra-Sol fosse minima ( perigeu) e outra em que fosse máxima (apogeu). Como o Homem sempre gostou do minimo então decidiu-se que o ano seria contado a partir do perigeu e não do equinócio. Esta convenção faz o ano civil começar a 1 de janeiro e não a 21 de março. [ nota: estes dias são assim contados segundo o calendário actual , na realidade os proprios numeros dos dias seriam "renomeados" de 1 de Março para 21 de Março e X de janeiro( 285 dias depois de dia 21 de março ) para 1 de janeiro. ]

Conclusão , foi a mente humana e a sua procura/gosto pela ordem que fez o calendário ser tão anti-natural como o que temos hoje. Compare-se com o antigo e repare-se que o antigo também era ordenado , e bem ordenado. Mais do que ordenado era natural. Correspondia com o calendário de trabalho da maioria das pessoas.   Os meses eram de 31 ou 30 dias com o ultimo mes a variar entre 28 e 29. Os meses do meio tinham os mesmos dias e o ano seguia o ciclo das estações. O de hoje em dia não tem nada disto mas está de acordo com a consideração astronómica do perigeu. Este é o preço do Raciocinio. Se por um lado deixa de ser natural e ter a ver com as nossas vidas, por outro é regido pela ordem que se pode provar e contar e refazer as vezes que forem necessárias.

O que é, e onde está a Física

Como formado no ramo da Física ainda hoje não posso escapar do seu encanto. Mesmo não praticando uma profissão relacionada à Física, ser físico é algo que está na alma e não é possível deixar de se  ser.

Para mim a Física é a ciência básica que alimenta todas as outras ciências naturais. É tão vasto o poder de explicação atual da Física que outros ramos da ciência existem apenas para tomar conta deles. A Química de hoje em dia não está mais preocupada em explicar por que o átomo existe ou como se formam moléculas, mas interessada em construir ferramentas para domar essa formação. A Física Quântica explica toda a tabela periódica sem margem de dúvida e com uma exatidão incomum. Não restam dúvidas que a Física Quântica é suficiente para explica toda a base da química – o átomo. Contudo ainda restam alguns detalhes sobre as reações químicas em si. Embora o poder de predição tenha aumentado ainda é difícil conceber uma reação artificial para construir algum composto com propriedades pré-definidas. A tentativa e o erro ainda são instrumentos nesse campo.

A Física é a ciência que estuda as ações que corpos e campos impõem sobre outros campos e corpos.  A Física está presente em quase tudo o que temos hoje em dia. Qualquer aparelho alimentado com energia elétrica funciona com base em alguma conhecimento físico. A produção de energia, per se está baseada em algum conhecimento físico; é o ramo da Termodinâmica.

O clima é talvez o campo de estudo da física que mais a ilude. A meteorologia tem uma capacidade de previsão limitada e seus modelos são complexos e empíricos – ou seja, não são totalmente  deduzidos de Princípios ou Leis e se baseiam muito em analise de dados reais. Outros campos como a Oceanografia e a Geologia estão ligados ao planeta e sofrem o mesmo problema da falta de uma teoria unificadora. Ramos como o Eletromagnetismo e a Óptica (é quase a mesma coisa, realmente…)  estão ligados às telecomunicações. O eletromagnetismo está relacionado ainda à produção de energia e à produção de movimento – motores elétricos que alimentam desde brinquedos a elevadores e trens e alternadores instalados em hidrelétricas ou na sua bicicleta que produzem energia elétrica a partir do movimento. A aerodinâmica e a mecânica também estão ligados a este ramo da atividade.

Ainda relacionado à produção de energia está a Física Nuclear que estuda também as partículas subatómicas, suas reações e sua composição.

A física está presente na sua cozinha, desde do mais simples formo (a lenha, gás ou eletricidade) até ao moderno microondas, passando pelo refiregerador e qualquer coisa que tenha a haver com frio ou quente. A física está presente na sua sala de estar, desde do vídeo em DVD (que funciona graças a um laser , devido à fisica quantica e à otica e à fisica de materiais para consturir o próprio DVD) passando pelo televisor, aparelho de som (Acustica) e qualquer item eletrônico. Eletrônica que está em todo o lugar devido ao estudo de materiais e suas propriedades (Física de Materiais). No caso o silicio e todos os semicondutores. A Eletrônica está por sua vez na base dos computadores e é o braço prático da Informática ( que não é uma ciência física mas tem muitas relações práticas)

A física está até presente nos seus moveis, nas estruturas dos prédios e até nas molas do seu colchão. Seres vivos à parte é dificil encontral algo na natureza ou no que o homem frabrica que não esteja relacionado à fisica.

Embora a biologia tenha começado apenas como uma catalogação dos seres vivos, hoje em dia, ela é marcada pela Teoria Da Evolução e a identificação do DNA. O DNA nada é mais que uma molécula – quimicamente falando – mas os processos que rodeiam essa molecula são aqueles que diferencia a vida da “não vida”.  A biologia ocupa um campo além da quimica e da fisica que lida com um conceito que é dificil colocar em formulas e reaçõs quimicas :a vida. Enquanto não é mistério como particulas subatómicas formam átomos ainda somos ignorantes de porquê elas formam átomos e como e porquê esses atómos formam DNA e vida.

A Física Moderna ( ou seja, a dos últimos 100 anos) virou sua atenção para o cosmos e desenvolveu a Cosmologia que usa parte da Fisica Quantica e parte da Relatividade Geral da Mecânica para explicar os objetos que observamos nos cosmos : estrelas, planetas, quasares, pulsares, buracos negros, etc…  A cosmológica vai mais longe e tenta explicar a aparição do Universo ( que é uma parte do Cosmos) com o famoso, e polêmico, Big Bang.

Escala. Esse é primeiro conceito necessário em física. A diferentes escalas diferentes formas da fisica são usadas conforme os fenômenos que queremos explicar.  Desde a Física Quantica do muito pequeno até á Cosmologia do muito grande.

Podemos observar a Física em acção em todo o lugar , a qualquer momento, em qualquer escala.

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Aceleração

O conceito cinemático de aceleração é muito simples. A aceleração representa a alteração de velocidade. E isto significa não apenas a alteração da magnitude da velocidade mas também da sua direção.

O conceito mecânico de aceleração é mais complexo. Está ligado ao conceito de força através do conceito de massa inercial. A força, por sua vez, está ligada ao conceito de trabalho e este ao de energia. Basicamente: a transferência de energia entre dois corpos físicos provoca a produção de  trabalho em um e a realização de trabalho pelo outro. A energia do corpo sobre o qual é a realizado o trabalho aumenta e isso leva a velocidade a aumentar, produzindo aceleração.  Ou seja, força provoca a aceleração que é a alteração da velocidade.

Contudo o inverso é também verdade. Alteração da velocidade produz força.

Estou certo que os condutores de ônibus de São Paulo são sabem disto, mas cada vez que eles pisão o freio ou o acelerador eles provocam um movimento dos passageiros. E quanto mais brusco o pisar, mas brusca a alteração do movimento. Tanto que o passageiro pode ser projetado além da sua vontade … isso é verdade, já vi acontecer, e prova que a física não é nenhuma mentira.

O ser humano está submetido constantemente à aceleração da força de gravidade, embora ele não note, pois é “construído” para não se dar conta que é submetido à aceleração da gravidade constantemente. Digamos que ele é sensível à mudança de aceleração e porque a aceleração da gravidade é sempre a mesma, não damos por ela, ou estamos, de alguma forma preparados para não nos darmos conta disso (outros seres vivos estão, como as plantas, que crescem para cima porque é o sentido oposto ao da aceleração).

Felizmente o que Deus não nos deu em sentidos nos deu em inteligência e somos capazes de criar aparelhos que medem a aceleração, os acelerômetros.  Acelerômetros, hoje em dia são corriqueiros. São eles que lhe permitem jogar no seu console apenas com movimentos , ou que a tela do seu handlet ou laptop se reposicione conforme a inclinação que dá ao aparelho.  Simples e divertido. Só possível porque tudo na Terra está submetido a uma aceleração constante todo o tempo, em todo o lugar.

A aceleração tem ainda uma outra relação com o seu humano. Quando um ser humano é submetido a acelerações muito diferentes que a da gravidade ( 9,8 m/s2) ele sente-se mal. Tão mal ao ponto de vomitar, desmaiar e até morrer.  É por isso que a aceleração está intimamente ligada ao conforto dos passageiros em qualquer transporte. Aviões têm que ganhar muita velocidade para poderem levantar voo, mas não a podem ganhar muito depressa porque isso seria equivalente a uma aceleração forte demais para um ser humano comum (por isso que a lista é longa e ha regras para quanto um avião pode acelerar). Pilotos e Astronautas são treinados para serem capazes de suportar acelerações maiores que um ser humano comum, sem passarem mal.

É claro que, alheios à qualidade do transporte urbano, as empresas de ônibus de São Paulo não instruem os seus condutores a terem cuidado com o nível de aceleração do veículo, já que isso é diretamente proporcional ao conforto do passageiro, e este ao nível de satisfação. Em uma sociedade civilizada não seria necessário dizer, mas em uma em que os condutores dirigem descalços é bom lembrar que o passageiro é um ser humano que sofre com a aceleração extrema do veículo. São pessoas que estão sendo transportadas, não plantas.

Talvez a prefeitura queira instalar acelerômetros nos ônibus e não repassar o valor da passagem por infrações à qualidade, tal como acontece na aviação. Acelerômetros são baratos, até os celulares os têm hoje em dia, então não há desculpa para esta falta de cuidado.

Hum… já agora, é por causa da aceleração que é preciso usar cinto de segurança. É porque se o veículo travar de repente (e quanto mais de repente, maior a aceleração) uma aceleração do seu corpo irá acontecer e você será projetado para fora do veículo através do parabrisa.

Tome cuidado, não acelere.

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Ciência On the SPOT

Lá por volta de 1998, estava eu no meu segundo ano de Engenharia Física na FCUL (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) e estava entusiasmado com a cadeira de programação. O curso de Engenharia Física é destinado a forma pessoa com capacidade para entender um pouco de todas as áreas relacionadas à física de forma a poder liderar projetos nessa área. Hoje em dia é impossível fazer física sem usar computadores e isso implica em saber programar. Já tinha tido uma introdução à programação no primeiro ano com Fortran cujo professor era um físico. O foco era o que a programação poderia fazer por nós em termos de calculo científico. Fortran é ótimo para trabalhar com matrizes e por isso é tão popular em ciências, sobretudo entre os físicos (sobre tudo o que se formaram antes de 1980).

Mas a nova cadeira de programação ia ser dada por um professor do departamento de informática. As pessoas do departamento de informática estão mais antenadas no futuro da informática que os físicos e por essa razão o professor queria nos ensinar Java. Em 1998 em Portugal a internet era uma novidade e os applets java dominavam todas as páginas. Alguém de entre os colegas decidiu que Java não era uma linguagem boa para ciências. já que servia apenas para fazer applets. Então, “a pedidos” o professor do departamento de informática foi motivado pelo diretor do curso a não ensinar Java. Sendo que Java estava fora das opções, o professor do departamento de informática escolheu ensinar C++. Do mal o menos – ao menos iríamos aprender orientação a objetos.

Esta decisão do diretor do curso influenciado por alguns colegas (não sei quantos – nunca soube quem foram , ou sequer se existira) sempre me perturbou e fiquei de olho se realmente Java estava fora do meio científico. Uma das coisas que o Java garante é a repitabilidade dos cálculos , coisa que o C++ não garante. Seria de pensar que isso seria importante no campo da ciência, mas aparentemente quem disse nem sabe o que raios é Java, ou acham que é uma linguagem de programação. Java é uma plataforma de desenvolvimento , para quem não sabe. E não apenas de desenvolvimento de software.

Hoje, dez anos depois a Sun conseguiu vingar a idéia original do Java que foi criado para correr dentro de hardware. É claro que começou pelo applet e isso trouxe grande visão. Abocanhou o server-side e depois os celulares. Hoje esforça-se para entrar no desktop usando os applets como porta de entrada, mais um vez. Mas Java é usando em níveis ainda mais baixos. Cartões com chips (JavaCard) e outros aparelhos. O mais assombroso é o Sun SPOT. Esta idéia permite que qualquer um possa criar um robot em meia hora. Claro que não será nenhum R2D2 mas também não será programado em C++ ( ou C, ou Fortran , … )

As aplicações em recolha de dados , sensores e atuadores são imensas. Estas coisas são realmente chatas e demoradas com as tecnologias comuns. Será mesmo que um engenheiro em fisica do seculo XXI tem mesmo que saber programar microcontroladores 8085 em assembler? Não me parece. Os custos disso são muito mais altos que programar , por exemplo, um Sun SPOT. Além de que no campo da ciência o dinheiro é sempre pouco e é preciso apresentar a coisa funcionando rapidamente. O facto do SPOT ser open source tanto no software como no hardware pdoe ajudar a criar inovação muito mais depressa. Os jovens universitários tem sempre sede de inovar e essa sede não é satisfeita nas universidades de hoje em dia – normalmente por problemas de custo.

É claro que alguém tem que saber assembler e microcontroladores e microeletronica, mas que tal deixar isso para engenheiros eletrônicos/elétricos? Para quem é suposto liderar equipes cientificas deste século o pensamento tem que estar um pouco acima de bits e bytes e mais perto daquilo que a ciencia de hoje (tanto a física, como a informática, e outras) pode fazer para aliviar o peso do dia-a-dia do cidadão comum por esse mundo afora sem que isso pese no seu orçamento.

Deixo-vos a apresentação do Sun SPOT que além de mostrar o que pode ser feito com ele , mostra como a ciência sim pode usar Java a seu proveito e mostra que tanto os colegas como o diretor do meu curso 10 anos atrás , estavam enganados. Mais do que isso, não tinham visão. Uma desilusão que talvez me tenha feito trabalhar como desenvolvedor Java e não como engenheiro físico (embora seja um de coração).

Paradigma

O que é um Paradigma

A definição de paradigma no dicionário é:

do Lat. paradigma < Gr. parádeigma, modelo
s. m.,
	modelo;
	norma;
	exemplo;
	padrão;
	tipo de conjugação ou declinação gramatical.
http://www.priberam.pt

Entretanto, note que o vocábulo é usado normalmente como sinônimo de um meta-modelo ou meta-norma, ou seja, como uma diretiva para a construção de outros modelos e normas. A palavra paradigma possui várias utilizações[1] relacionadas à ciência, à filosofia e até à religião, mas o seu principal uso dá-se no ramo da epistemologia[2]: a teoria que estuda problemas filosóficos relacionados à crença e ao conhecimento (sim, são coisas diferentes).

Paradigmas são ao mesmo tempo o bem e o mal do mundo. O bem advém da sucessiva alteração de paradigmas, ou seja, a vigência de um paradigma é limitada no tempo e no espaço. Assim, um paradigma aceito em uma cultura em determinado período, pode não ser aceito em outro período pela mesma cultura, ou no mesmo período por culturas diferentes. Isso cria diversidade: o que é bom. Por outro lado, os paradigmas podem ser encarados como o mal do mundo porque a falha das pessoas em reconhecerem que o seu pensamento é submetido a um (ou mais) paradigma vigente as tornam intransigentes, ignorantes e, em última análise, estúpidas.

A epistemologia é a teoria que pretende discernir o que é submissão a paradigmas (crenças) daquilo que é conhecimento (saber imparcial, reaplicável e reaproveitável). Observe-se que conhecimento não se limita a conhecimento científico, este é apenas um dos vários tipos possíveis. O conhecimento científico é aquele obtido através de um certo método e que goza de propriedades especiais relativamente a outros tipos.

De igual forma, a epistemologia pretende analisar como os paradigmas são criados, alterados e abandonados. No fundo, discernir o ciclo de vida dos paradigmas e suas interações é uma das preocupações da epistemologia. Para entendermos bem o valor desta teoria temos que entender que ferramentas ela utiliza. A primeira delas é a História, visto que a evolução do pensamento, crença e conhecimento ao longo dos tempos denota a sucessão dos paradigmas, isto é, como eles se suplantaram em seqüência até hoje. Outra ferramenta é a Lógica, que distingue afirmações falaciosas de afirmações válidas (não necessariamente verdadeiras, mas pelo menos, não falsas à partida). O trabalho dela é filtrar o que se diz e pensa, de forma a extrair as impurezas resultantes de paradigmas vigentes na atualidade. A Matemática pode ser uma ferramenta utilizada em casos mais específicos. Por exemplo, em epistemologia da ciência, a linguagem matemática é mais eficiente em manter coerência lógica ao longo do tempo. Contudo, também ela é sujeita a paradigmas e, portanto, não é completamente imparcial. A história mostra que assim é: antigamente certos números eram preferidos em detrimento de outros para certos usos. Isto denota uma restrição imposta pela sociedade e cultura (o paradigma) e não uma verdadeira restrição do conhecimento matemático em si.

Paralaxe dos Paradigmas

Durante a vida de um Paradigma acontece que um pequeno conjunto de pessoas se torna consciente do um novo paradigma. O seu trabalho e esforço tornam o novo paradigma conhecido de outras. Assim, à medida que o conhecimento do novo paradigma se alastra, o uso do velho diminui, até ao ponto em que todas as pessoas utilizam o novo paradigma e velho é historia.

É esse período de transição onde um novo paradigma aparece, convive com o anterior e finalmente se torna o paradigma padrão vou chamar Paralaxe dos Paradigmas (à falta de melhor termo). Paralaxe é um termo usado em astronomia para referir o movimento aparente de uma estrela quando observada de um planeta[4]. Aqui se refere à dinâmica que leva um paradigma a ser abandonado e outro a ser aceite.

Existem opiniões divergentes sobre como um paradigma aparece e outro desaparece. O que interessa aqui é que isso acontece: um aparece e outro desaparece. Essa alteração de paradigma convencionou-se chamar “Quebra de Paradigma” embora a passagem de um para o outro não seja abrupta, mas contínua. Ou seja, um novo paradigma não é aceite por todas as pessoas da noite para o dia. É um processo que demora tempo.

Em bom entender: os paradigmas não se transformam em outros, eles são realmente órfãos sem nenhum parentesco entre si. O que ocorre é uma convivência durante um certo período de tempo. É durante esta sobreposição que acontece a paralaxe.

Estudar este fenômeno, em si próprio, é interessante já que está constantemente acontecendo em vários níveis da vida do ser humano. Há bem pouco tempo atrás (séculos são pouco tempo em epistemologia) seguiam-se paradigmas como: as mulheres não deveriam trabalhar por um salário, o homosexualismo era uma doença psicológica ou o meio-ambiente era mero palco passivo da nossa existência. Hoje se aceita que as mulheres trabalhem profissionalmente, o homosexualismo é visto como uma forma de exercício da liberdade individual e o meio-ambiente é reconhecido como elemento simbiótico e necessário à existência da humanidade. Se olharmos para os ramos das ciências, ou os das várias religiões, teremos ainda mais exemplos.

O ser humano é um animal cuja maior capacidade física é possuir capacidade mental. Ele se alimenta de conhecimento com o mesmo vigor que se alimentar de comida. Sustentar a mente é tão, ou mais, importante que sustentar o corpo, e isso dá ao ser humano capacidades e responsabilidades inexistentes em outros animais. Mas tal como a comida pode ser envenenada e fazê-lo definhar lentamente, também o saber acumulado pode ser tingido de imperfeições que definham a sua mente.

É o papel dos paradigmas manterem a humanidade em evolução pela constante alteração daquilo em que elas crêem. Paradigmas não são conjuntos de conhecimento “puro” e sim conjuntos de crenças, submetidas ao escrutínio da sociedade, da sua cultura, de suas mágoas, desejos e esperanças. A sucessão dos paradigmas é uma medida da maturidade da civilização humana como um todo, e isso não pode ser ignorado.

Agentes da Paralaxe

A paralaxe dos paradigmas não é um mecanismo provido pelo universo e sim pela aleatoriedade, pela dispersão estatística do mesmo padrão – afinal é apenas uma ilusão. É da natureza de alguns documentarem o paradigma vigente, de outros, de o desafiar; e há ainda aqueles cujo feitio é o de se apegarem teimosamente ao paradigma passado. Felizmente, existem alguns poucos cuja natureza é a de propor novos paradigmas. Nem todos os paradigmas têm relevo suficiente para se tornarem aceitos universalmente por um longo período de tempo (alguns séculos). É interessante observar que para cada uma destas posturas assumidas pelo ser humano frente às mudança de paradigma nascem ofícios relacionados. A ciência, por exemplo, é o ofício de quem quer propor novos paradigmas para entender o universo em que vivemos. Entretanto, ela é boicotada por quem, dentro dela, não vê além do paradigma onde a ciência se inclui: a crença que podemos realmente ter a certeza de entendemos o universo, isto é, a crença que ele é intelegível e que temos ferramentas – ou as podemos construir – para alcançar essa finalidade.

Velhos do Restelo[4], que sempre são contra qualquer novidade, são a força que nos mantém no paradigma anterior, como bolas de chumbo nos pés de prisioneiros, amarras que seguram o barco no cais. Por outro lado, estes conservadores mantém acesos faróis que indicam portos seguros, para onde podemos ir sempre que algo der errado e nos perdermos. E essa necessidade de voltar é muito grande pois é muito mais fácil permanecer em porto já conhecido que procurar o desconhecido. Contudo, existem aqueles que fazem isso.

Desbravar novos caminhos, terrenos ou não, é a missão dos pioneiros. Aqueles que, na vanguarda, aceleram o descobrimento e mostram as maravilhas de novos conhecimentos, novos lugares, novas realidades àqueles que vêm atrás.

Escribas cujo trabalho é documentar tudo o que acontece: opiniões, fatos, conceitos, escolhas, sentimentos. Historiadores fazem este trabalho com gosto. Arqueólogos põem a mão na massa procurando provas do que aconteceu no passado. Visionários mostram os caminhos possíveis a partir daqui. Filósofos interrogam-se sobre se não está faltando algo nestas redações. Eles vivem a mudança e se alimentam dela.

Finalmente existem os Transportados. Aqueles que, impávidos e serenos, não interferem em nada com o ciclo de vida dos paradigmas. Seguem aquele que a maioria seguir, ou aquele que lhes for ordenado seguir. Estes são os corruptíveis que não acreditam em nada, nem sequer no que têm ao contrário dos conservadores. Tanto lhes faz o resultado final e portanto, tentam aproveitar a viagem. O papel dos transportados na paralaxe dos paradigmas é serem um volume. O volume que os Pioneiro têm que guiar para que o paradigma mude. O volume que os Conservadores têm que conter para que ele não mude. O volume, cujas reações os escribas têm que documentar.

O agentes da paralaxe não estão sozinhos e a sua missão não é vazia de perigos. Conservadores podem muito bem atrasar a sucessão natural dos paradigmas (lembre-se da “Idade da Trevas”). Desbravadores podem avançar demasiado depressa ou na direção errada (experiências genéticas irregulares, extermínio étnico e a procura da raça perfeita). Escribas podem confundir os fatos com as opiniões, as escolhas com as circunstâncias. O resultado de tudo isto pode ser devastador. Desta forma, os mesmos agentes da paralaxe dos paradigmas podem ser os agentes da sua destruição. Isso não é errado ou certo, bom ou mau; simplesmente é assim.

Navegando na crista da onda

O papel da epistemologia é ficar de fora do ciclo de sucessão dos paradigmas. Afinal, essa é a única forma de os analisar imparcialmente. Contudo, essa é uma tarefa impossível à partida, já que a epistemologia é conhecimento em si mesmo e portanto submetida a paradigmas. A tarefa da epistemologia é continuamente procurar não cair em um paradigma em particular e a única forma de fazer isso é manter um historial de todos eles. A epistemologia também tem seus escribas, desbravadores e conservadores. Um epistemólogo é simultaneamente todos eles pois é pela constante alteração de perspectiva que ele mantém sua observação imparcial (o mais possível). É atuando dessa forma que ele se dá conta que a paralaxe é uma ilusão. Isto funciona se alguém assume todos os papéis de forma sã, mas é um perigo quando alguém assume um só papel. Isso o transforma de epistemólogo para desbravador, escriba ou conservador apenas.

Navegar na crista da onda da sucessão dos paradigmas, ou seja, permanecer acima do dilema e da dicotomia dos paradigmas; apresenta-se como tarefa de impossível execução para um ser humano, mas alcançável pela humanidade. A especialidade de cada um, o talento e cada um, pode ser colocado ao dispor da epistemologia, para que um dia possamos saber resolver problemas que advém da nossa natural insatisfação com o mundo e com os outros e da inerente paralaxe que existe devida à nossa posição no universo.

Referências

[1] Paradigma
Wikipédia
Editor:
URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Paradigma
[2] Epistemologia
Wikipédia
Editor:
URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Epistemologia
[3] Paralaxe
Wikipédia
Editor:
URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Paralaxe
[4] Velho do Restelo
Wikipédia
Editor:
URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Velho_do_Restelo

Licença

Creative Commons License Sérgio Taborda
Este trabalho é licenciado sob a
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Esquecimento Global

Infelizmente os conceitos de independência e objetividade em que a ciência se baseia não são seguidas pelos próprios cientistas. Afinal, ser cientista é como qualquer profissão: você precisa ser contratado por alguém para fazer alguma coisa.

Quando esse contrato termina ou está quase a terminar, o trabalhador precisa criar novas oportunidades para continuar no seu posto. Em ciência isso significa fazer novas descobertas ou trabalhar nas descobertas de outros. Ou até mesmo inventar novas coisas para poder trabalhar e justificar o seu salário. Infelizmente é assim.

Se o tempo e o espaço são relativos e tempo é dinheiro , então o dinheiro ganho também é relativo ao espaço que você ocupa na empresa/laboratório.

O mais recente problema derivado deste promiscuidade é a teoria do aquecimento global, que tal como o problema da camada de ozônio a um tempo atrás (cujo buraco diminui e ninguém sabe por quê) leva a especulações menos sérias do problema.

O acordo de Kioto é importante? Claro que sim. Afinal poluir nunca foi bom, mas nunca ninguém teve que prestar contas da poluição. Agora, com a espada do destino apontada ao gelo dos pólos, os empresários caçam a boa vontade da população para produtos verdes que não vão matar você , nem seus filhos, nem netos, etc… daqui a milhões de minutos. Sim, porque o bicho-papão do aquecimento global come depressa e daqui a nada vai destruir a Terra.

Mas que palermice. Os cientistas precisa de suportar a existência de um problema para justificarem seus salários em busca de soluções: as quais não existem sem um problema real. Os empresários usam o medo das populações para vender mais caro, justificando-se que produtos verdes são mais caros, mas não matam você, nem sua família. Os governos convencidos pelos empresários (afinal mais vendas = mais imposto) assinam protocolos imbecis para gerar o que os governos mais gostam: circulação de capital nos mercados internacionais (e pensava você que eles queriam salvar a Terra….)
E a população, que não entende que está sendo sugada por todos continua acreditando sem provas. Mas talvez ela goste de acreditar.

A verdade é que a poluição é má. Sempre foi. Sempre será. A verdade é que os governos não têm coragem para defender sua população e recursos dos empresários que visam o lucro e se importam um pepino com as conseqüências. Num mundo normal, os governos teriam obrigados os empresários a reduzir a poluição, poderiam até incentivar isso com mecanismos financeiros, mas não precisariam de desculpas. Simplesmente saber que poluir é mau deveria bastar.

Como o buraco da camada de ozônio – que ninguém sabe de onde veio (aliás poderia ter estado lá desde sempre) obrigou os produtores de aerossol a substituir as suas tecnologias o aquecimento global irá mudar todas as indústria. Claro, se os EUA concordarem com o acordo internacional. Já que se eles não concordarem o efeito da redução é ridículo e desprezível para a diminuição do aquecimento e vamos morrer na mesma. Alguém vai chutar o … dos EUA por causa disso?

O que interessante é que os cientistas não especulam sobre o problema. Outras origens, como a alteração dos campos magnéticos da terra, ou um pouco estudado ciclo de mudanças climáticas mundiais… talvez eles não queiram. Afinal, no fundo, todos queremos obrigar as empresas a fazerem o que é certo e os governos a zelar por que elas o façam. Se o preço é vivermos enganados, que seja.

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A Ciência

Como formado e interessado em Física sempre me despertou a curiosidade pelas leis da natureza e pela ciência em geral. Embora possa apontar formas em que a ciência causou danos à sociedade da mesma forma que a religão causou na idade média, não podemos fugir da certeza que se ha formas de compreender o universo, a ciência é uma delas.

Durante algum tempo atrás foi frequentador assíduo da CienciaList , a qual, aliás recomendo pelo elevado grau de conhecimento e educação dos intervenientes. Neste tempo me dei conta que existe um défice em divulgação da ciência para a população. Exitem formas muito interessantes como Feiras de Ciência, mas formas mais tradicionais como museus não chegam a tocar o coração da maioria. Mesmo assim há interesse sobre os assuntos topo de linha da ciência de hoje porque cada vez mais – e ainda bem – as pessoas querem poder entender por elas mesmas os avanços conquistados.

Contacto Físico

O problema de ter estudado algum dia física é que não é possivel esquecer a sensação de compreender o Universo , mesmo que parcialmente.

Hoje abro a secção de física com um texto escrito ha muito tempo atrás mas que é uma boa revisão sobre a história da Mecânica Quântica

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