Voto Consciente
Mais uma vez é ano de eleições Todo o ano de eleições só ouço falar como todos os políticos são ruins e corruptos e como votar é irrelevante. Pior que isso, sempre existe um grupo que adota o voto nulo como sinal de protesto. Isto não apenas é inútil como demonstra que as pessoas não sabem o que é votar, muito menos o que é votar conscientemente. E pior, acham que de alguma forma muito inteligente e esperta estão boicotando as eleições. A verdade é que todos os votos nulos são totalmente ignorados, o que significa que ninguem sequer os vai contar, o que significa que não têm peso algum no resultado, no processo ou sequer na media. Como os votos nulos são simplesmente ignorados, nunca veremos no jornal “Votação com 90% de votos nulos. A população protestou!” . Isto jamais acontecerá porque o processo não funciona assim.
Vota consciente significa três coisas 1) exercer o direito de voto, 2) escolher o candidato que mais representar os seus ideias políticos e 3) tomar responsabilidade pelo futuro da decisões do seu município, estado ou pais.
Exercer o direito de voto é o primeiro passo. Afinal muita gente morreu para que você tivesse esse direito. E não apenas no Brasil como em muitos outros lugares do mundo, e ainda hoje continuam morrendo para outras pessoas, outros países tenham o mesmo direito. Este é talvez o direito mais honroso que um cidadão pode deter e não é brincadeira usá-lo. Quando você não vota (se abstém) ou vota nulo, você não está exercendo este direito. O que é um desperdício.
Escolher o candidato/ partido nem sempre é fácil. Nem sempre as opções são do seu agrado. Mas o mecanismo de eleições lhe dá uma outra opção legítima de voto se você decidir que nenhum dos candidatos retrata seus ideias políticos: o voto branco. O voto branco é muito importante num sistema de eleição e usá-lo é tão importante quanto escolher um candidato. Por razões que falarei mais à frente o poder deste mecanismo foi obliterado no direito brasileiro, mas ainda resta como opção legitima e politicamente significativa.
Em geral , num sistema de eleição representativa nos moldes da usada no Brasil se parte do conceito que todos o cidadão tem direito a voto, ou seja, direito de escolher e a participar de forma representativa nas decisões do governo. O poder de exercício do voto é de suma importância para a democracia e subtrair este direito dos cidadãos é o primeiro sinal de ditadura. A pessoa é considerada apta a votar quando alcança uma certa idade. Normalmente entre os 16 e 21 anos. Em alguns países o voto é facultativo. No Brasil ele é obrigatório. O fato do voto ser obrigatório ou não, não é realmente relevante ao resultado por causa da possibilidade de anular o voto. No brasil, para 2012, 138.242.323 cidadãos [1]s poderão exercer seu direito legítimo de voto.
Embora no Brasil o voto seja obrigatório as estatísticas consideram que existe abstenção. Na realidade isto é um contra-senso, mas significa basicamente o numero de ausências. Estas ausência têm depois que ser justificadas ou o cidadão irá perder alguns direitos políticos como poder concorrer para a função publica ou viajar para o estrangeiro como cidadão do brasil (ou seja, fica sem passaporte). Outras ausências se devem a pessoas que já morreram mas cujo nome não foi dado baixa da lista de eleitores. Como o voto é obrigatório, não ha abstenção de fato. Contudo, a abstenção – seja por ausência, ou real – conta para diminuir o numero de votos que são utilizados.Uma fatia dos votos totais possíveis é consumida pela Abstenção.
De todos os eleitores que sim irão votar, alguns irão votar em branco, alguns irão anular o seu voto (propositalmente ou por acidente) e alguns irão votar no seu candidato. De todos estes, apenas os votos válidos são relevantes ao resultado. O numero de votos válidos total é a soma de todos os votos específicos Os votos nulos são considerados inválidos. O numero de votos válidos tem a seguinte relação ao numero de leitores
Votos Válidos = Numero de Leitores – Abstenção – Votos nulos – Votos em Branco
No site do TSEé possível obter os dados das eleições. Por algum motivo não conseguir acessar os dados de 2008 que seriam mais relevantes ao cenário de 2012, mas apenas para exercício usarei dos dados de 2010. Tomemos como exemplo a eleição para presidente no primeiro turno. O Quadro de Comparecimento nos permite calcular a abstenção por estado e um abstenção média de 18.12 % O que significa que aproximadamente um quinto do pais não votou para presidente. Em 2010 existiam 135.804.433 eleitores aptos a votar, o que significa que 24.610.296 de eleitores não votaram. 26 milhões de eleitores não votaram. Olhando o quadro e contando apenas os votos inválidos (nulos e brancos) obtemos que eles correspondem a 8% do total de votos contados (111.193.747). O votos válidos foram então 101.590.153 que corresponde a 75% dos votos que o pais poderia ter executado. Aproximadamente um quarto da população simplesmente não abdicou de escolher um vencedor. Analisaremos em que circunstâncias, depois.
Analisando os resultados da eleição vemos que a maioria dos candidatos não chegou a 1 por cento dos votos e os três mais votados, como sabemos foram Dilma Rousseff (46,91 %) , José Serra (32,61 %) e Marina Silva (19,33 %). Vemos Dilma que consegui 50% dos votos. Mas quanto isto representa realmente do pais , sendo que 25% das pessoas não votaram nela. A votação real corresponde a 47.651.434 votos que equivalem a 35.09 % dos eleitores. Ora, isto significa que apenas aproximadamente um terço do eleitorado gostaria de ver Dilma , mas como as pessoas não foram votar, anularam seu voto ou votaram em branco, elas simplesmente tornaram mais fácil da vitoria de Dilma. Se analisarmos apenas o segundo turno obtemos 18.07% de abstenção ( ou seja, a mesma abstenção) , 6.7 % de votos inválidos – um pouco menos que antes – e a vitoria de Dilma por 56.05% dos votos válidos, que correspondem a 41,05% dos eleitores daquele ano.
Espero que entenda que se abster , votar em branco ou votar nulo simplesmente está deixando que seja mais fácil alguém ganhar. Mas pior que isso, está deixando que alguém não o represente. Repare que nesta eleição de presidente um quinto não votou, dois quintos votaram em quem ganhou e 2 quintos votaram no resto dos candidatos.
Contudo, se abster, votar nulo e votam em branco – embora consolidem o mesmo resultado ao vencedor – não significa a mesma coisa politicamente. Se o eleitor em consciência opta por se abster ( ou seja, se ausentar de alguma forma do exercício do seu direito) ele não está apenas entregando a decisão nas mãos dos outros eleitores, ele está simplesmente abdicando do seu dever de voto. Como tal, não pode se indignar com nada do que aconteça em seguida. Se o eleitor anula sue voto por acidente, é um acidente – culpa de ninguém. Acontece. O eleitor tinha intenções reais de exercer seu voto mas por acidente não o fez. Tudo bem. Da próxima ele não se engará. Mas quem anula seu voto conscientemente está conscientemente não apenas abdicando do seu direito de voto – já que é equivalente a ter ficado em casa – mas a não usar o seu direito de protesto, que é o voto em branco. Ou seja, está errando duas vezes. Talvez por desconhecimento do significa do voto em branco, ou por simples falta de educação politica este eleitor simplesmente está abdicando de qualquer influencia no resultado. Pela mesma razão de quem se abstém, e até em maior grau, este eleitor também não pode ser queixar de nada do aconteça a seguir.
O único instrumento politico, legítimo para protestar uma eleição é o voto em branco. Embora não seja considerado na decisão do vencedor da eleição o voto em branco tem um peso politico porque é um voto consciente que corresponde realmente a uma atitude de protesto ou insatisfação. Infelizmente, como disse foi obliterado do direito brasileiro o legitimo uso do voto em branco, tal como foi concebido e é usado em outros sistemas políticos em outros países A importância do voto em branco é ele abre uma exceção à regra. Em outros sistemas o voto branco é considerado legitimo e o numero de votos brancos alcançar uma certa percentagem sobre os outros votos legítimos causa a anulação da eleição como um todo. Normalmente o percentual é a maioria absoluta ou seja um voto a mais que a metade dos votos. Isto significa que se esta quantidade de eleitores não concordar de alguma forma com nenhum dos candidatos uma nova lista de candidatos deve ser votada em novas eleições Na prática isto seria quase impossível de acontecer, excepto em ocasião de golpe democrático de estado em que a lista é de alguma forma viciada pela que os eleitores sejam forçados a legitimar um candidato que em seguida usará o seu pode concedido legitimamente para remover a democracia ou modificar o sistema politico de alguma forma. Porque ele foi elegido legitimamente isto não pode ser considerado como um verdadeiro golpe de estado, mas é uma das brechas do sistema lógico que está na base da democracia representativa. E como tal um mecanismo é necessário para evitar que isso aconteça. É ai que entra o voto em branco.
Na lei brasileira o voto branco já foi considerado um voto legitimo. Ele era usado para computar a soma de votos e calcular o coeficientes partidários ( não abordei isso no exemplo, porque é um pouco complexo, mas este numero é o que decide quantos lugares cada partido terá nas casas). Com um numero maior de votos o coeficiente é menor o que significa menor numero de lugares nas casas (senado e câmara). A lei 9.504/97 veio alterar isto dizendo que os votos branco não serão considerados para o calculo de votos legítimos Com isto os coeficientes são maiores para os maiores partidos deixando mais difícil que os pequenos partidos entrem nas casas. Por outro lado, com a não existência de um artigo que explicita a anulação das eleições com base na quantidade de votos em branco, os eleitores brasileiros foram truncados do mecanismo que lhes permitia protestar de uma forma que fosse ouvida pelo sistema. Existem outras formas de anular uma votação presentes na lei 4737/65 (art 220) e inclusive um arquivo que gera a anulação com base nesses critérios (art 224) Contudo os votos brancos são esquecidos desta lei e de todas as outras não alcançando o objetivos para que foram concebidos.
Contudo, mesmo na falta do mecanismo legal para anular a votação com base na quantidade de votos em branco, politicamente ainda é o mecanismo legitimo para protestar – sendo que as resultados são públicos e se realmente um dia chegarmos a uma quantidade alarmante de votos em branco, com certeza os jornais terão algo a dizer e quem sabe não altere a lei para incluir essa mecânica – como existe em outros países.
O que nunca acontecerá é que um voto inválido anule a votação. Isto porque um voto inválido é o mesmo que não votar. É o mesmo que não ir votar. Se votar fosse um exame, abster-se é não ir ao exame e saber que terá zero como nota. Votar nulo é ir ao exame e errar no nome. Não só você sabe que terá zero, como o professor o achará um idiota que nem o nome sabe escrever. Isto pode ser considerado um ato de rebeldia à lá Bart Simpson ( que tem 10 anos) e não a atitude de um adulto. Muito menos a atitude de um cidadão e com certeza não é a atitude de um ser humano exercendo um direito politico que custou tempo e tantas vidas a obter.
Se você quer ficar indignado , fique indignado com a lei que obliterou o seu direito a protestar politicamente por mecanismos temporais. Pode até ficar indignado com os candidatos. Pode ficar indignado com o sistema de votação representativa e por maioria. Pode até ficar indignado em saber que todos os votos nulos que você já votou ajudaram à vitória do candidato que você não queria. O que você não pode fazer é dizer que votar nulo é votar conscientemente. Votar nulo de propósito é votar com a idade politica do Bart Simpson – é uma completa asneira. Se você é consciente disto, pode até dizer que o seu voto é conscientemente uma asneira, mas não pode achar que as pessoas que levam a politica a sério eo seu direito de voto a sério , possam concordar que isso é um voto de uma pessoa que sabe o que está fazendo. Não é. nunca será.
Alguns ainda mais loucos, consideram que o excesso de votos nulos anula não apenas a eleição como o sistema politico como um todo. Isto é ainda mais ridículo É como pensar que se errar no tiro-ao-alvo, você vai ganhar a medalha de natação. Simplesmente impossível de acontecer. Antes de mudar o sistema, você tem que o entender. E depois sim, dentro das regras, modificá-lo. É possível. Inclusive democraticamente. Já aconteceu na França várias vezes. Portanto, se você é uma pessoa que invalida seu voto de propósito, pense melhor no que você está fazendo. Vote em branco. Pelo menos você estará sendo honesto com os seus pares.
Se você já sabia de tudo isto e exercita seu voto realmente conscientemente, seja em branco ou em um candidato, obrigado por ser um Cidadão de fato.
A Ecologia, a Sacola e a Cultura
A partir do dia 25 de janeiro de 2012 uma nova lei permite que as loja cobrem pelas sacolinhas plásticas com que os clientes transportam as compras para casa.
As lojas querem que você acredite que deixarão de haver sacolas disponíveis nas lojas e tentam convencê-lo a comprar aquilo que chamam de “sacolas ecológicas” . Não vou sequer abordar o fato de muitas dessas sacolas conterem plastico, e de não serem de fato ecológicas… adiante. O ponto é : as lojas estão tentando convencer que ou você compra sacolas reutilizáveis agora, ou você vai começar a levar as compras para casa nas mãos.Mais do isso tentam você se sentir mal por usar sacolas plásticas agora responsabilizando o seu uso das suas sacolas pelos problemas ecológicos do uso do plástico e do não tratamento do lixo que são problemas mundiais.
Tudo estaria bem se as lojas realmente deixassem de usar sacolas plásticas e mudassem para o papel ou o tecido. Assim, ou você leva uma sacola reutilizável (não confundir com renovável) de qualquer material que você quiser ou você sai da loja com as compras não mão. Ora isto seria surreal. As lojas perderiam os clientes de oportunidade. Aqueles que não são clientes habituais e entram por impulso ou necessidade pontual.
A verdade é que as lojas continuarão a ter sacolas disponíveis. Mas por um preço. A mudança não é na disponibilidade das sacolas plásticas, é no seu preço. Agora você terá que pagar por elas. Ninguém se engane achando que esta é uma atitude ecológica. É uma atitude econômica. Se o cliente tem que pagar pelas sacolas ele será mais cuidadoso a arrumar as compras nas sacolas e não usará uma sacola para cada item como muita gente faz. Além disso o custo da sacola é repassado ao cliente em vez de custar à loja. Basicamente a politica é : Quer uma sacola plástica ? Compre-a. É bem diferente do que eles querem fazer parecer no marketing que seria “Quer uma sacola plástica ? Não temos. Porque defendemos o meio ambiente. “
Ora, se as lojas continuam tendo sacolas plásticas disponíveis, mas por um preço, então afinal como fica a ecologia ? Onde sempre fica : na carteira. A conclusão a tirar daqui é : você pode usar sacolas plásticas, desde que as compre. Se você pode poluir o mundo, desde que pague.
Mas o problemas não é apenas das lojas de produtos comestíveis. Todas as lojas estão tentando vender suas sacolas reutilizáveis com branding. Branding é uma estratégia em que se associa qualquer produto a uma marca. No caso a marca da loja. Neste espírito livrarias estão adotando a estratégia comercial de vender sacolas reutilizáveis.
Hoje entrei numa livraria cultura, com minha esposa, para comprar alguns livros. De vez em quanto dou uma olhada para ver o que ha na prateleira sobre desenvolvimento. Depois disto decidimos que queriamos comprar algumas sacolas reutilizáveis. Não pela pseudo-preocupação ecológia mas pelo simples fato de ter sacolas rutilizáveis. Pegamos duas sacolas de um modelo mais barato e outra de um modelo mais caro. Quando a moça do caixa passou os produtos o computador mostrou uma com preço diferente. A sacola custava 17 reais e o computador apontava 10 reais. Pelas regras do código do consumidor a loja é obrigada a vender pelo menor preço. Contudo a caixa não queria fazer isso nem consegui explicar porque o preço era diferente. Mas em vez de ativamente resolver o problema disse que tinhamos que falar com um vendedor. Claro que neste ponto já havia uma fila à espera. A loja em questão tem vários caixas no centro da loja em circulo. É simples para os clientes mudarem de fila, mas ninguém fazia isso. Porque a fila tem que andar, a caixa usou a estratégia de nos mandar com um vendedor para resolver o problema. Dessa forma ela poderia continuar atendendo o resto da fila. Ora, você está sendo lesado pela loja, as pessoas têm opção de ir a outros caixas, porque cair nessa ratoeira. Eu fiquei e a minha esposa caçou um vendedor na multidão. O vendedor informou que se tratava de uma promoção. Porque eramos associados do programa de clientes e tinhamos crédito podiamos levar a sacola por dez reais. Agora o ponto era outro. Como saber se essa promoção realmente existe ou é uma desculpa para a divergência de preços ? Perguntamos então sobre onde está publicada a promoção. Toda a promoção tem que ser publica, ou seja, deve haver um cartaz um informativo qualquer e algum documento sobre as regras. Esta simples questão levou o vendedor a pedir que uma terceira pessoa – que se apresentou como a gerente – a intervir. A gerente repetiu o mesmo discurso do vendedor. Peguntamos pelo regulamento. Ela foi buscar. Esperamos. Enquanto esperávamos a fila estava travada e as pessoas começaram a mudar de fila. Claro que zangados. Connosco! Como se a culpa de falta de explicações fosse de quem faz as perguntas. Perguntamos à caixa sobre o exemplar do codigo do consumidor que a loja deve ter disponível para consulta. Queríamos mostrar do que estávamos falando. Não é questão de 7 reais de diferença. É a questão da relação fonecedor-consumidor. Para nossa surpresa ela não tinha um. Uma empresa como a Livraria Cultura, não era de esperar.
A gerente regressa. Sem o documento. Pedindo para irmos com ela a um ponto de consulta de preço. O objetivo é duplo aqui. Primeiro tirar-nos dali e fazer a fila andar. Repare que ninguém está preocupado com o que estamos dizendo, apenas em fazer a fila andar. Por outro lado queria mostrar que o preço padrão era 17. Tentei explicar para ela que eu sabia que o preço era 17 na consulta. Eu tinha feito essa consulta antes. O ponto não era esse. O ponto é que o computador do caixa, dizia um preço menor. A lei diz que tem que ser o menor preço anunciado. Não importa onde. Se é no totem de consulta ou no caixa ,ou num panfleto…
No impasse a gerente perguntou o que queriamos. Dissemos que queríamos compras todas as sacolas pelo menor preço, a menos que nos fosse apresentada a divulgação da promoção. Ela não conseguiu fazer prova da promoção e disse que nunca venderia pelo menor preço e que se não queriamos pagar pelo preço que o computador mostrava, deveriamos ir embora. Assim fizemos. Cancelando a compra. Fazendo uma reclamação por escrito. Finalmente a fila estava livre e andando. Era só esse o objetivo.
Na saida perguntámos ao segurança o nome do gerente. Queriamos aferir se era realmente a pessoa com que falámos. Ele falou para nossa surpresa que não existe um gerente. Que se tivessemos algum problema ele poderia chamar o atendimento ao cliente. Alguns detalhes. Enquanto esperávamos ligamos para dito atendimento. A pessoa estava nos vendo, mas não veio atender ou ver o que era o problema. Ambos vendedor e pseudo-gerente asseguravam que a promoção estava no site da Livraria Cultura. Ao chegar a casa verifiquei que não havia qualquer menção a qualquer promoção e o preço no site era 17 reais.
O maior choque é a falta de transparência. Ninguém sabe de nada. Só importa liberar a fila.E as pessoas afirmar ter cargos que nem existem…
Hoje mesmo na secção de desenvolvimento tinha um livro dobre HTML5. O único da loja. Em péssimo estado. Em qualquer loja competente aquele livro não estaria ali ou seria substituído por um em condições, ou um desconto seria dado. Afinal quem quer gastar dinheiro num livro completamente maltratado ? Perguntei ao vendedor se poderia aranjar outro exemplar ou dar um desconto. O que ele fez? Saiu sob a desculpa que iria ser se era possivel dar um desconto. Voltou dizendo que aquele era o único exemplar e não havia desconto. Ok. É um direito da loja. E o meu direito é não comprar. Só não precisava de todo o teatro. Bastava dizer que não havia latitude para dar o desconto da primeira vez que perguntei.
Estão vendo o padrão ? Sair de perto do cliente sob a desculpa que vai resolver o problema e voltar sem ter feito nenhum esfoço. Qualquer esfoço. Nada. E esperar que o cliente tenha mudado de ideias ou tenha ido embora. Afinal o que faz uma livraria ? Vender livros ? Não.
É possível acreditar que empresas que nem saibem cuidar do seu negocio saibam cuidar da ecologia ou sequer saibam o que isso é ? Não. O que é muito fácil de acreditar é que as empresas e lojas de hoje em dia estão preocupadas apenas com lucrar. E lucrar significa vender mais e ter menos custos. Não importa que um cliente foi coagido a sair da loja sem o produto se um 50 outros formavam fila atrás dele.
É isso que me custou tentar comprar uma maldita sacola reutilizável …
Mas a historia não acaba aí. No caminho de casa passei num supermecado da rede Pão de Açucar onde comprei 3 sacolas de melhor qualidade por menor preço (13 reais). Um lugar onde todas as perguntas sobre o evento do dia 25 foram respondidas competentemente pelos funcionários.
Não é esperar muito que sejamos bem tratados como consumidores. Afinal damos um duro danado para ter esse dinheiro para gastar nas lojas. O minimo é que nos tratem bem.
Podem até enganar-nos com um papo ecologista que nos obriga a comprar sacolas reutilizáveis, mas querer fazer de nós estúpidos é pedir de mais. Eles estão se ajudando a si mesmos. A lei só torna isso oficial.
Respeito. É pedir muito ?
Economia Verde, Economia Vermelha
Ha um ano que não escrevo para este blog. Não que não haja uma miríade de assuntos para escrever, mas porque me falta o tempo físico e mental para o escrever. Mas hoje, me ocorreu um pensamento que não posso deixar passar em branco.
Hoje em dia, é quotidiano ouvir falar sobre “verde”. Empresas verdes, produtos verdes, etc… Todos querendo salvar o mundo e natureza dos maus tratos que a humanidade lhe causa.
Sendo educado em ciências isto só por si me causa grande náusea, porque demonstra como a população mundial pode ser tão facilmente enganada pela mídia. Não ha realmente provas que exista realmente um aquecimento global, tal como não havia das causas do buraco do ozônio que todos já esqueceram mas que ainda permanece lá. Quem existe para dizer que aquele buraco não é natural e sempre esteve ali. As “estatisticas” dizem que o globo está aquecendo cerca de 1ºC por século. Sendo que o termômetro foi inventado 1592 mas apenas no final do seculo XVIII se começaram a fazer medições periódicas na Inglaterra sendo que medição periódica em todo o mundo apenas foi conseguida no seculo XX. Ou seja, um único século para medir o aumento de um grau por século. É como olhar o termometro durante uma hora e vê-lo subir 1ºC e concluir que a temperatura irá aumentar 1ºC por hora. O que realmente não leva em consideração o fato que essa mesma temperatura poderá não aumentar no período seguinte.
Muita gente ainda acredita que o nível das águas do mar irá aumentar quando os glaciares dos polos derreterem. Como uma experiência bem simples lhe mostrará , o gelo ocupa mais espaço que água liquida, o que significa que quando o gelo se transforma em água, o nível da água diminui. O que significa que o argumento é furado. O nível da água do mar aumenta devido à dilatação da água e não ao descongelamento dos gelo. Faça a experiência. coloque gelo num copo e encha com água. Marque o nível da água. Espere o gelo derreter e marque de novo. Observe que o nível marcado no final é menor que o anterior.
Pois bem, no meio de toda este manbo-jambo feito para enganar a população a pagar mais pelos produtos , serviços e marcas “verdes” achando que estão salvando o mundo, mas que no fim, estão sendo apenas enganadas do seu dinheiro ha um problema mais grave.
Quantas dessas marcas, produtos ou serviços são manchados pelo trabalho escravo que é utilizado na sua fabricação. Não é segredo para ninguem que não existem leis trabalhistas em muitos dos países asiáticos e que é exatamente lá que os produtos de marcas famosas são fabricados. Desde marcas de roupa e calçado e marcas de produtos de informática e aparelhos domésticos são fabricados por pessoas em condições de trabalho deploráveis e até por crianças e até de escravidão.
Então , quando você compra um produto e se pergunta se ele é verde e se os seus produtores se procuram com a Natureza , você também se pergunta como aquele produto foi feito e quantas crianças ou escravos o produziram ?
Você se preocupa que o produto é verde, mas não se ele é manchado pelo vermelho do sangue destes injustiçados ?
Porque você acha que o mundo está em uma crise econômica ? Porque milhões de pessoas não têm poder aquisitivo. Pode este que perderam quando as suas funções foram transferidas para pessoas na Ásia que recebem menos, ou mesmo nada e até crianças. E esses mesmos produtos são vendidos mais caro aqui do que antes. As marcas irão negar que empregam crianças ou escravos, mas todos nós sabemos que isso é mentira. Negabilidade significa que se pode negar, não que é mentira.
Os países do chamado primeiro mundo não podem competir com isto. Não ha como competir com produção de custo zero. A não ser que as pessoas deixem de comprar os produtos produzidos dessa forma. Da mesma forma que se pede o boicote a produtos não-verdes porque ferem o ambiente e o legado que você irá deixar aos seus filhos, também os produtos vermelhos afetam o legado que você irá deixar aos seus filhos. Um mundo onde é licito alguns se aproveitarem da fragilidade dos governos para se utilizarem das pessoas a um nível criminosos, mas o outro lado do mundo não sabe, não enxerga e não quer saber sobre o problema.
Comparativamente queimar pretróleo é muito menos perigoso do que comprar estes produtos de marca manchada.
Você vai ler este texto e até poderá concordar com ele e falar dele aos seus amigos e tentar conscientizará-los do problema que a probreza do terceiro mundo se deve ao consumismo do primeiro e que a crise do primeiro se deve à falta de evolução do terceiro. Ou seja, a desigualdade é o motor para mais desigualdade.
Pessoas se procuram com o ambiente, com o uso de peles de animais roupas, como o uso de animais em testes de laboratório. Tudo isto é licito e importante porque abusar da natureza e de nossos companheiros animais. Mas da mesma forma não podemos abusar dos outros seres humanos. Não o fazemos diretamente e por isso funciona para eles – os que ganham com isto.
Em vez de se preocupar com um problema “verde” que não existe e que foi desenhado para levar você a gastar mais dinheiro, preocupe-se com um problema real, documentado e existente de não ajudar a criar mais escravos e por mais crianças a trabalhar.
Sim, é possivel doar dinheiro para entidades que se ocupam com estas coisas, tal como é poissivel doar para organizações que se preocupam com o uso de animais para experiencias e vestuário e salvar as baleias. Mas as melhor forma de você ajudar tudo isto é consumir com consciência.
O ser humano consome por natureza é impossivel pará-lo de consumir. Mas consumir com responsabilidade não se limita a proteger os recuros naturais. Incluir em se responsabilizar por proteger vidas e valores morais numa sociedade cada vez mais globalizada. Cada vez menos importa a lingua, o pais e o seu credo e muito mais quais são so seus valores humanos. Esses são internacionalmente entendidos e aceites.
Protega o seu futuro e o de seus filhos e netos se procupando o mal que está fazendo ao mundo comprando produtos que são fabricados em condições precárias de um sub-mundo que só quer seu dinheiro custe a quem custar, desde que não seja a eles.
Se ha criminosos no mundo é apenas porque ha quem compre deles.
O Mito da Carreira Profissional
Para muitas pessoas ter um emprego estável é uma meta importante. Estável significa que não será despedido tão cedo e que seu salário tende a acompanhar as suas necessidade. Deste conceito nasce o conceito de Carreira Profissional em que a pessoa evolui dentro da empresa se um trabalho para outro. Para alcançar isto, a pessoas tem que trabalhar exclusivamente em uma só empresa e isso leva ao conceito de que o trabalhador “pertence” à empresa.
O conceito de que o trabalhador “pertence” à empresa leva ao conceito de que se a empresa protege seus bens, então deve proteger seus trabalhadores. Especialmente deve manter os seus salários altos. Por outro lado, leva ao conceito de que a empresa é o conjunto dos seus trabalhadores. Tudo isto são ilusões.
Na realidade o trabalhador é livre para mudar de emprego para outra empresa a qualquer momento, e a empresa é livre de mudar de empregados a qualquer momento. Não existe vinculo exceto aquele condicionado pelo horário de trabalho que, na prática, causa um vinculo de exclusividade, embora na teoria a pessoa é livre de ter quantos trabalhos quiser.
O trabalho é um fator produtivo como qualquer outro. Se uma matéria prima escasseia a empresa irá antever formas de substituir essa matéria prima por outra. O mesmo se aumentar de preço. Se a matéria prima abunda o seu preço é menor porque a concorrência assim o força. O mesmo com o trabalho. Se ha muitos trabalhadores de uma certa especialidade a empresa contrata os mais baratos, se ha poucos, ela tem que competir pelos poucos que ha aumentando o salário. Claro que ao falar em salário me refiro inclusivamente a todos os benefícios que são pagos.
Não existe ponto de equilíbrio. É um processo cíclico constantemente em rotação.
Neste cenário não faz sentido pensar que a pessoa tem alguma chance de permanecer na mesma empresa por muito tempo. É simples. Quando ela acumular um valor que se equiparar ao do mercado ela será substituída. O truque, portanto, é nunca deixar que a massa do mercado chegue nos seus calcanhares. A pessoa tem que se manter acima da média, bem acima, para se manter na posição que ocupa. Por outro lado, em outra empresa, essa mesma posição pode pagar melhor ou ser de alguma forma mais vantajosa. E ai é tempo da pessoa mudar de empresa.
Da mesma forma que as empresas procuram constantemente revitalizar seu quadro, também os trabalhadores precisam se mover entre as empresas. A idéia de que a pessoa entra no departamento de entregas e depois de um tempo acaba na presidência não advém de um mecanismo interno da empresa, mas sim da constante busca dessa pessoa em se destacar da massa que o rodeia.
Neste sentido, a Carreira Profissional é o conjunto de operações, estudos, e extensões que a pessoa adquire ao longo da vida que lhe permitem se manter acima da massa regular e não o conjunto de cargos que ocupou numa mesma empresa.
É um erro entrar numa empresa e esperar ficar nela para sempre. Igualmente é um erro sair dela antes de aprender o suficiente. Do ponto de vista da empresa é um erro manter pessoas que não evoluem, mas igualmente é um erro não lhes dar espaço para evoluir.
Acho que a conclusão é : não existe segurança no emprego, então parta do principio que você vai mudar mais cedo ou mais tarde e não que vai ficar ai para sempre.
Quem mexeu no meu calendário ?
Como a racionalidade humana pode parecer ilógica.
Sabe-se bem quantos dias tem um determinado ano. Do ponto de vista estrictamente cientifico e fenomenológico o periodo de um ano é o intervalo de tempo entre duas passagens consecutivas do sol por um determinado ponto pre-defenido da sua órbita aparente. Como o Sol no seu moviemento de revolução aparente em torno da Terra , transcreve uma órbita eliptica, esta é, logo, fechada e periodica.
Este tempo iguala 365.26 dias ( despresando termos de ordem inferior a 0.01) Mas como os humanos nunca se deram bem a tratar de numeros não inteiros achou-se por bem tornar o ano um periodo inteiro de dias ( assim como o mesmo se fez para as horas , pois o periodo de rotação também não é de 24h certas) Assim o ano passou a ter 365 dias exactos e a chamar-se ano civil , pelo facto de ser adequado às contas temporais das pessoas no dia a dia.
Mas para manter uma relação com o tempo verdadeiro da viajem da terra em torno do sol ou o que vai dar ao mesmo ; e naquela época era assim que se considerava ; do sol em torno da terra – achou-se também por bem de 4 em 4 anos civis o ano conter um ano suplementar. Desta forma 0.26 x 4=1.04 onde 0.04 se despresou completamente. Isto explica porquê os anos não são todos iguais. Mas imagine-se a si a fazer todas estas contas à um bom tempo atraz. Onde acrescentaria esse dia ?
Temos 3 hipoteses. No inicio do ano , no meio do ano ou no fim do ano. É nesta altura sensato relembrar que antigamente o que dava de comer às gentes era a agricultura e toda a sua vida se baseava na fertalização, sementeira , crescimemto e recolha dos produtos. Ora , onde colocariamos esse dia a mais ? Seria um dia para nos divertirmos ou para trabalharmos ? Suponho que um dia de 4 em 4 anos seria suficientemente invulgar para ser de festa. Aceitando isto, se você vivesse no hemisfério norte naquele tempo onde colocaria esse dia suplememtar? Provávelmente seria colocado no inicio da primavera ou pelo menos quando o tempo fosse o suficientemente bom para festejar. Mas porquê não no verão ? Bom no verão faz mais calor , e se o frio a mais não é bom para festejar o calor de mais também não é. Portanto seria colocado no inico da primavera. Mas em relação ao ano seria onde ?
Segundo o calendário de hoje seria no inico , bom mais ou menos , fim do 1º trimestre.E naquela altura ? Faria sentido colocar um dia destes no interior do ano , quebrando o ritmo para “festejar” um dia suplementar ? Acho que não, ainda para mais conhecendo o rigor com que estas coisas do cultivo era seguido. Este aspecto remete-nos para uma descrepância entre o calendário actual e o que parece ter tido lugar antes. Mas não é o unico.
Os dias do mês de fevereiro são ondulantes , ou seja , são 28 ou 29 conforme o ano. Porquê colocar este mês como segundo mês ? Era muito mais logico colocá-lo no fim , ou no inicio. Ainda para mais não é um mês que respeita a regra do 31-30. Supondo que o dia é acrescentado , parece evidente que seria acrescentado no fim dos 28 dias normais. Ou seja Fevereiro ao ser variável por exesso não faria sentido colocá-lo no inicio do ano, mas sim no fim do ano , onde se pode acrescentar. Acrescentar implica , que me lembre , sempre , fazê-lo no fim. Ora sendo assim como é que temos fevereiro como 2º mês do nosso ano ?
Além disso temos mais., existem 2 meses consecutivos com 31 dias; Julho e Agosto. Mas estes meses são consecutivamente o mês 7 e 8 dos 12 do ano. Ora se o ano tem 12 meses e se temos 2 iguais consecutivos não seria mais logico colocá-los como os meses 5 e 6, ou seja, no meio do ano? Uma ultima curiosidade. Os prefixos devem servir para alguma coisa ou não os usariamos , certo ? Supondo que isto é verdade e atendendo aos prefixos comuns como , bi , di ,tri ,hexa , sept , oct , nov, dex reparamos que temos meses que têm estes prefixos : Se(p)tembro , Ou(c)tubro ,Novembro, Dezembro. Parece então que estes meses deveriam ser os meses 7 ,8 ,9 e 10 e não os 9,10,11 e 12. Em todas esta questões deparamos com sempre 2 meses de diferença ou seja Fevereiro é o 2º em vez do ultimo ( 12=0 ) , julho e agosto são so 7 , 8 em vez de 5 e 6 e por fim os ultimos meses do ano. Como explicar isto ?
A resposta é muito simples. Antes o ano começava, no Equinócio da primavera , o tempo era contado pelas colheitas ( por ciclos de rotação das colheitas , se quiser). Ora o Equinocio de primavera dá-se em Março , 21 de Março. Se fizermos Março como o mês 1 então fevereiro seria o mês 12 ( sendo agora compreensivel ) , julho seria o mês 5 e agosto o mes 6 , sendo também agora possivel estabelecer a relação entre os prefixos e os meses. Se(p)tembro =7 , Ou(c)tubro=8 ,Novembro =9 e Dezembro =10. Esta simples hipotese parece arrumar tudo nos sitios certos. Então porquê a descrepância com o calendário actual ?
Quando se soube que existia uma ordem no movimento aparente de revolução do sol, soube-se que era por esta orbita ser uma elipse e logo se soube também que a Terra estaria num desses focos ( lembre-se que analizamos o movimento do sol , embora aparente , era o usado pelos antigos agricultores. do ponto de vista da seguinte discusão é irrelevante esse promenor , “que o quê gira sobre o quê” ) Assim haveria uma altura em que a distancia Terra-Sol fosse minima ( perigeu) e outra em que fosse máxima (apogeu). Como o Homem sempre gostou do minimo então decidiu-se que o ano seria contado a partir do perigeu e não do equinócio. Esta convenção faz o ano civil começar a 1 de janeiro e não a 21 de março. [ nota: estes dias são assim contados segundo o calendário actual , na realidade os proprios numeros dos dias seriam "renomeados" de 1 de Março para 21 de Março e X de janeiro( 285 dias depois de dia 21 de março ) para 1 de janeiro. ]
Conclusão , foi a mente humana e a sua procura/gosto pela ordem que fez o calendário ser tão anti-natural como o que temos hoje. Compare-se com o antigo e repare-se que o antigo também era ordenado , e bem ordenado. Mais do que ordenado era natural. Correspondia com o calendário de trabalho da maioria das pessoas. Os meses eram de 31 ou 30 dias com o ultimo mes a variar entre 28 e 29. Os meses do meio tinham os mesmos dias e o ano seguia o ciclo das estações. O de hoje em dia não tem nada disto mas está de acordo com a consideração astronómica do perigeu. Este é o preço do Raciocinio. Se por um lado deixa de ser natural e ter a ver com as nossas vidas, por outro é regido pela ordem que se pode provar e contar e refazer as vezes que forem necessárias.
Uma nova edificação
Por esta hora – quase um mês depois do meu ultimo post – alguns podem estar pensando o que tenho andado a fazer.
Quando criei este blog lá em 2007 era para ser apenas um lugar onde pudesse escrever sobre os meus gostos – que são muitos e variados. O “problema“ é que rapidamente o gosto maior tomou conta: o Java.
Eu escolhi me especializar em Java, em tudo o que diz respeito a Java, por razões profissionais, mas se tornou um hobby muito interessante ao ponto de me fazer criar o MiddleHeaven. Através do Java aprendi sobre Orientação a Objetos e mesmo sem os purismos de Smalltak o estreito mapeamento entre a linguagem Java e os conceito de Orientação a Objetos concorrem para que quanto mais se conheça um, mais se aprecie o outro.
Hoje, o meu blog é visitado por milhares de pessoas todos os meses que procuram se educar um pouco mais nestas coisas e aprender a criar aplicações Java melhores, fugir de más práticas e aprender melhores formas de codificar e mapear o mundo real para objetos. Muitos defendem a visão empirista em que através de tentativa e erro se chega a um modelo bom e uma aplicação robusta. O experimentalista em mim entende essa visão, mas o arquiteto em mim prefere ter menos trabalho criando um modelo mais duradouro. O desafio é grande, mas a recompensa será maior.
Só que, há um problema com esta visão. Os consumidores de software coorporativo, ao contrário dos consumidores caseiros, não sabem o que procurar em um software, não sabem avaliar a sua qualidade. E o pior é que nem os desenvolvedores sabem avaliar essa qualidade. Ela é intangível, imensurável. Contudo, ela não é subjetiva. Existe sim o bom e o mau. O Padrão e o Anti-Padrão, o crédito e o débito técnico. O problema que eu vejo é que tanto desenvolvedores, quanto os donos de empresas que produzem software, quanto os consumidores desse software adoram gastar rios de dinheiro e ampulhetas de tempo em gambiarra, mas não dão o braço a torcer para procurar qualidade, diminuição de custo, mais-valia. A culpa do débito técnico sobre a recompensa do crédito técnico. Sentimento de utilidade para quem compra e sentimento de orgulho para quem vende.
É por isso que no ultimo mês coloquei na prática os alicerces de uma idéia que há muito estava na minha cabeça. São os primeiros tijolos para um espaço que levará as pessoas a produzir melhor software de forma mais barata, sem gambiarra, sem prejuízo para a saúde mental, emocional ou moral de ninguém e que os cliente sintam vontade de usar e evoluir. Um portal que ajude a explicar o que é um produto software, como se faz e por que se faz assim. Tecnologias, Práticas, Regras, Teorias, Tutoriais e, espero, muitos exemplos rodando no seu navegador e no seu desktop que comprovem que isto é possível e ajudem a enterrar as velhas práticas da Era da Pedra ( do cartão ? ) da produção de software como um bem.
Este empreendimento é maior que eu. É maior que um só blog. É necessário um lugar com mais recuros e menos limitativo que estas fronteiras, onde esta ideia possa ser discutida, aperfeiçoada, exemplificada. É um novo edifício. Hoje ainda com poucos cômodos, mas que logo crescerá. O céu é o limite. A nova casa para o desenvolvimento de aplicações com Java: www.javabuilding.com
Fantochada
Dom Quixote lutava contra moinhos de vento. Muitos programadores estão lutando contra fantoches. Generalizou-se a ideia de que objetos sem métodos outros que não modificadores (set) e acessores (get) são ruins porque são sempre manipulados por outros objetos: são fantoches.
Ora, esta ideia, em si mesma é que é a grande fantochada. Alguns objetos são simplesmente um saco de propriedades e não há nada que possamos fazer contra isso. Embutir artificialmente métodos nesses objetos só para que pareça que eles fazem alguma coisa é simplesmente errado. Ao tentar fugir dos fantoches criam-se monstros piores.
O Principio de Separação de Responsabilidade pede que cada objeto tenha apenas uma responsabilidade. Se a responsabilidade do objeto é apenas ser um saco de propriedades, então que seja. Exigir dele mais do que isso é violar o Principio de Separação de Responsabilidade por querer colocar no objeto coisas que ele não sabe fazer ou não pode fazer.
Um exemplo clássico do que estou falando é o objeto Usuario. Muitos gostam de colocar um mudarSenha(String senhaAntiga, String senhaNova). Já vi isto várias vezes. Dois erros:
- Porque precisa da senha antiga? O usuário já tem um getSenha que é esse valor. O argumento é que o usuário real tem que saber a senha atual e portanto senhaAntiga tem que bater com o valor em getSenha(). E o que acontece quando não base certo? Lança exception? E se eu não quiser fazer isso?
Conclusão: é uma decisão que pode ter várias estratégias conforme quem decide, quando e onde. Não ha uma resposta possivel única. Logo, isso deve ser isolado em outro objeto. - Quem muda a senha do usuário? A aplicação. Certo? Não é o próprio usuário que realmente muda a senha. É sempre alguém que o faz por ele. Esse alguem não é o usuário, logo, isso não é responsabilidade da classe usuário. É responsabilidade de um outro agente do sistema, outro objeto.
Outro é o uso do pseudo-ActiveRecord. Por alguma razão que me escapa ao entendimento muitos acham que ter um método save() no proprio objeto que está sendo guardado, é uma excelente ideia. Pode até ser, se for bem implementado. Isso é a essência do padrão ActiveRecord. Só que o ActiveRecord tem contra indicações. Ele não é recomendado para sistemas grandes. Certo. Agora vai dizer que o seu sistema não é grande e portanto você pode usar o ActiveRecord. O sistema pode parecer pequeno agora, mas deixe passar um tempo e verá. ActiveRecord é bom para protótipos que vão – com certeza – ser jogados no lixo. Mas aceitemos que para o seu caso ActiveRecord é uma boa ideia; ai ,muita gente faz assim :
public class ObjectQualquer {
DAO daoObjectoQqualquer;
public void save(){
daoObjectoQualquer.save(this);
}
}
Não vou nem entrar no mérito se deve usar DAO ou Repositorio (para ActiveRecord é DAO mesmo) mas esse código é o exemplo de como é fácil associar responsabilidades aos objetos que eles não têm. Como sei isso? Porque o objeto simplesmente delega a outro. Sem alterar nada, sem produzir nenhum outro efeito. Depois vêm perguntar: “Como injeto o DAO neste objeto?” a resposta é “Porque raios você tem esse objeto ai para começo de conversa?!” É muito difícil chama o DAO apenas quando ele é necessário? Que raio de preguiça é essa?
Não é perguiça. É a falsa noção de que os objetos têm que ter métodos diferentes de get/set. E ai as coisas mais absurdas são feitas para atingir esse objetivo.
Um objecto é composto por três coisas: estado, comportamento e responsabilidade. Responsabilidade é o que os outros objetos esperam que ele faça. Comportamento é como esses objetos pedem que isso seja feito e estado é a forma que o objeto tem de “memorizar” o que fez.
A responsabilidade deve ser apenas uma. Isso é obvio. Quanto mesmos responsabilidade mais simples é o objeto. Lembre-se disto. O comportamento é um contrato publico. É algo do tipo : “quando chamarem por desta maneira farei este trabalho, desta forma.” Isto não necessariamente significa que existe um método especifico que traduz o comportamento, mas sim que ha um contrato que é acessível por meio de um método. Por exemplo, ArrayList e CopyOnWriteArrayList têm comportamentos diferentes, embora as sua interface (o conjunto de métodos) seja a mesma.
Ao definir um objeto primeiro você define a sua responsabilidade: “Este é o objeto que é responsável por … “, depois como ele vai possibilitar essa responsabildiade. Só quando você o implementa é que você precisa de pensar no estado do objeto.
Mas e os objetos cuja responsabilidade é apenas portar dados? O comportamento deles é dar acesso aos dados e o estado deles são os dados (ou representações dos dados).
Tomemos como exemplo o objeto String. Ele porta dados (caracteres) e tem estado (um array de char) que representa esses dados. Pronto. Preciso colocar um save() nele só porque ele vai ser gravado em banco de dados? Não. A responsabilidade de String é muito simples: portar caracteres. String é talvez o objeto mais manipulado em Java. Isso, com certeza, não faz dele um objeto fantoche. Então porque o meu TipoProduto que só contém uma String com o nome do tipo e um inteiro com um código para o tipo é um fantoche ? Não é.
Todo este delirio quixotesco de ver objetos fantoche onde só existem objetos simples e incólumes advém de um má interpretação daquilo que significa “comportamento” em um objeto. A mensagem original é muito simples e se prende com outra caracteristica do design orientado a objetos : inversão de controle. A ideia é o seguinte : não deixe para os outros o que você pode fazer. Um objeto string pode informar quantos caracteres guarda. Isso é trivial, porquê delegar isso a outro objeto? Um objeto String pode informar qual é o caracter que está na posição n da cadeia. Por que delegar isso a outro objeto?
Existem comportamentos que são naturalmente associáveis com a responsabilidade do objeto e por isso o objeto ganha essas sub-responsabilidades. Isto é feito , não porque o Principio de Separação de Responsabilidade é fraco, mas sim porque ele é forte. Se deixassemos outro objeto nos informar de, por exemplo, o tamanho da String, teriamos um objeto com um metodo objectoX.length(String s). Quando um objeto Y precisasses saber o tamnho da String ele teria que chamar X. Isso cria um acomplamento artificial entre X e Y. Então , atribuindo a responsabilidade ao String esse acoplamento não existe mais. Contudo, isto não significa que os métodos sempre devem ser transportados para o objeto que contém os dados. O comportamento do método têm que ser natural à responsabilidade principal do objeto.
Um contra exemplo para mostrar isto é o objeto Date. Ele contém uma data. Se eu quiser saber a idade de uma pessoa eu preciso saber a data do seu nascimento. A primeira aproximação seria fazer calculaIdade(Date dataPessoa) e seguindo o exemplo atrás você poderia ser tentado a fazer dataPessoa.calculaIdade(). Ai você bateria de frente com o fato do Java não lhe permitir criar métodos novos em classes existentes e a sua conclusão seria que java é uma porcaria de linguagem e você migraria para ruby onde isso é possível. Coitado do Java. Na realidade é você que é um péssimo designer. A idade é da Pessoa e não da data de nascimento. O método seria calculaIdade(Pessoa pessoa). E pessoa tem um atributo público que informa a data de nascimento. Claro que a idade é algo que depende de quando fazemos a pergunta. Então precisamos de mais uma informação que é a data atual: calculaIdade(Pessoa pessoa, Date atual)
Utilizando o método acima poderiamos pensar em fazer Pessoa.calculaIdade(Date atual). Seria isso certo? Pessoas podem calcular as suas idades? Podem.
Animais não sabem calcular as suas idades. Significa isso que Cao.calculaIdade(Date atual) é errado? Não.
Por muito que você goste de abstrair o mundo em objetos e o princípio de separação de reponsabilidade tenha que ser cumprido, ele se aplica a Objectos e não a coisas do mundo. Então, embora um cão não saiba calcular a sua idade, o objecto Cao não É o cão. Ele é uma abstração humana daquilo que um cão É. Portanto, o objeto pode conter responsabilidades que um humano entenderia para o objeto e não as responsabilidades que o ente real, realmente tem. Ou seja, em termos simples: um objeto pode ter mais responsabilidades/comportamentos que a sua contraparte real.
A mensagem é que diminua ao máximo o acoplamento atribuindo comportamentos naturais aos objetos que já tem no seu modelo. Sim, poderiamos pensar que um comportamento como “capitalize” (coloca todos os caracteres do principio das palavras em maiuscula) é um comportamento natural de um String. E ai você irá xingar o Java de novo por não lhe permitir adicionar esse comportamento. Mas será mesmo que é isso?
Não será que na realidade isso seria o comportamento esperado para um Texto? Ou mais especificamente ainda, para um Titulo? Qual é a diferença entre formatar um data para um String com certo padrão e formater um String para outra String com um certo padrão. Não será que na realidade Capitalize é a responsabilidade de um objeto de formatação?
Não existe uma única resposta para um design. É por isso que se chama design (desenho). Cada um descreve de uma forma. E sim, existe a corrente do Realismos (os objetos são as coisas), do Impressionismo (os objetos parecem as coisas) e até do Cubismo (todos os objetos são cúbicos). Da designer tem o seu estilo, e se funciona não está muito mal. Só que um design não “corre”. Ele funciona abstratamente e não no CPU. Um design que funciona (que é funcional) é aquele com baixa manutenção. E baixa manutenção envolve várias coisas além de gosto artistico por um estilo. Envolve decidir e fazer trade-off de muitas coisas simultaneamente. Se você não tem um estilo artistico de design, pelo menos conheça e use as tecnicas dos designers profissionais.
A proliferação de objetos do tipo bean (apenas como get/set) não é uma questão derivada de mau design. Ela acontece porque esta é a forma padronizada que criar objectos que são sacos de propriedades (PropertyBag). Muitas outras formas existiriam: como usar Map ou criar uma classe PropertyBag. Contudo, classes genéricas como essas tirariam poder de abstração que é tão importante e pior que isso, tirariam tipagem forte. Repare que fazer bean.getNome() é muito mais forte e refactorável que propertyBag.get(“nome”). O uso de Strings é desaconselhado e por isso o uso de beans é tão comum. Contudo, sempre que o bean puder provêr comportamente extra que lhe seja natural, deve fazê-lo e não delegar isso para outro objeto (normalmente apenas com métodos estáticos). A palavra chave é puder. Às vezes ele quer, e até parece natural, mas ele não pode.
Não há problema nenhum em que um objeto só seja um bean com os seus get/set se isso é realmente o que ele deve ser. O problema real é você ter objetos (classes) apenas com métodos estáticos que fazem operações sobre objetos que um deles poderia fazer sozinho. Essa delegação excessiva é que é realmente o problema, ou colocar sempre os get/set sem pensar se é esse o comportamento esperado/necessário daquele objeto.
Não lutemos então contra fantoches ou fantasmas anoréxicos que só existem na nossa cabeça. Alguns objetos são realmente simples e com uma só responsabilidade e poucos comportamentos. Tão poucos que a única grande responsabilidade é guardar dados e prover acesso a essa memória.